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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Um guarda-chuva chinês para Lula

O IBGE está prestes a divulgar que o Brasil cresceu 9% no terceiro trimestre, o que coloca o País, pela primeira vez em décadas, rodando num padrão asiático


Sergio Dutti/AE

Na quinta-feira 10, o IBGE divulgará um dado que surpreenderá muita gente: o de que a economia brasileira cresceu a um ritmo de 9% ao ano no terceiro trimestre. O resultado reflete um período atípico de reação da atividade industrial, reposição de estoques e aumento do consumo na sequência de um trimestre contaminado pela crise. Na prática, no entanto, a velocidade com que a economia reagiu entre julho e setembro, com cara de crescimento chinês, sinaliza que o País entrará em 2010 num passo acima do esperado. Várias consultorias já falam em crescimento de 6% para o PIB em 2010 e o governo não esconde o entusiasmo. "Estaremos entre os três países que mais crescem no mundo", diz o ministro da Fazenda, Guido Mantega.



Os 9% impressionam, especialmente pelo fato de o Brasil estar pouco acostumado a números dessa proporção. "As montadoras e as fabricantes de eletrodomésticos foram surpreendidas pelo incentivo do IPI e tiveram de acelerar fortemente a produção", diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores. "As empresas atingiram velocidade inédita e falar em 6% para 2010 deixou de ser chute", diz Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo.

Há realmente um ar chinês nas empresas. Nesta semana, a Fiat afirmou que buscará a meta de produzir, sozinha, um milhão de carros no Brasil no ano que vem. "O investimento de R$ 1,8 bilhão em novos produtos nos dará essa possibilidade", garante o presidente Cledorvino Belini. Nas últimas semanas, a Volkswagen também anunciou R$ 6,2 bilhões no Brasil até 2014, a GM mais de R$ 5 bilhões para o mesmo período e a Ford divulgou R$ 4 bilhões para os próximos quatro anos. "Na pior das hipóteses, o PIB crescerá 4% em 2010 e o setor automotivo 6%, com 3,2 milhões de unidades", diz o presidente da Volkswagen, Thomas Schmall.

Investimentos em massa e um PIB chinês também não assustam o setor de eletrodomésticos. "Se dependesse do setor de eletrodomésticos, por exemplo, cresceríamos a uma taxa de 20% ao ano", diz o diretor da Whirlpool, Armando Ennes do Valle Júnior. Em 2010, a fabricante de eletrodoméstico, dona da marca Brastemp, investirá US$ 250 milhões no aumento da capacidade. "Aconteça o que acontecer, nosso setor não crescerá menos de 10%", completa ele.

Essa mesma confiança tem feito do Brasil um caso raro na economia póscrise. Ao lado de emergentes como China, o País tem atraído o olhar dos investidores estrangeiros. A situação fiscal estável e o bom desempenho interno fizeram dos dois países locais seguros para recursos de fora desde que Dubai entrou em moratória.
A face mais exótica desse PIB trimestral é que, por muito tempo, crescimento econômico era artigo de luxo no Brasil, restrito a poucos momentos da história do País, como a fase do milagre econômico entre as décadas de 60 e 70. Tanto é que, desde então, se tornou uma obsessão entre economistas projetar o PIB potencial da economia. Nos anos FHC, falava-se que 3,5% era o limite para não realimentar a inflação. No início da era Lula, diziam que a falta de infraestrutura ameaçava estrangular o País, caso a economia acelerasse acima de 5%. Nem um nem outro. O fato é que, pela primeira vez em muitos anos, a economia brasileira avança a um ritmo asiático.

Fonte: IstoÉ Dinheiro

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