
Brigar na escola nunca foi uma prática exclusivamente masculina. Historicamente, na arena de confronto feminino, sobravam agressões verbais, unhadas e puxões de cabelos, principalmente na disputa pela atenção dos garotos. Mas os relatos de brigas entre meninas têm aumentado. O motivo? Elas dizem que, para serem respeitadas, têm de mostrar força e liderança, como fazem os seus pares do sexo oposto. "É como se tivessem ficado mais corajosas e isso fosse reconhecido na sociedade como um valor", diz a socióloga Miriam Abramovay.
Pesquisadora da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, Miriam coordenou o estudo Cotidiano das escolas: entre violências (leia quadro). Os dados mostram que cerca de 86 mil alunas - 10% das pesquisadas - agrediram fisicamente alguém na escola no último ano. A mudança de comportamento chama a atenção. "A fragilidade e a passividade perderam força entre elas. As agressoras não querem ser mais mulherzinhas", afirma Miriam. "Ser a namorada do valentão também não serve. Querem formar um grupo de meninas para se defender, ser elas por elas mesmas."

Uma pesquisa da Udemo (Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo) revelou que, no ano passado, 86% das escolas estaduais conviveram com algum tipo de violência. Em Belém (PA), onde recentemente uma aluna foi morta a facadas por outra dentro da sala de aula, a PM já registrou cerca de 150 ocorrências nas escolas só neste ano. "Parte das alunas vê na agressão física um modo de se afirmar dentro do grupo", diz o professor Roberto da Silva, da faculdade de educação da Universidade de São Paulo (USP).
O Amadeu Amaral, depredado em São Paulo, é um dos colégios que funcionam no regime de turno integral, das 7h às 16h. "Além da tensão didático-pedagógica, professores e escolas têm de lidar ainda mais com a sociabilidade infanto-juvenil, mas não estão preparados", diz Silva. A direção do Amadeu Amaral foi procurada por ISTOÉ, mas não quis se pronunciar. A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, por meio de sua assessoria, informou que 11 alunos foram transferidos, a ronda de policias foi reforçada e as aulas seguem normais depois de uma reunião entre a direção, pais e estudantes.
O diálogo como mecanismo para solução de conflitos entre alunos, porém, não deve ficar apenas a cargo das escolas. "A sociedade civil está delegando para as instituições ações que não cabem só a elas. É compromisso de todos, comecem dentro da própria casa!", afirma a professora Henriette Morato, do Instituto de Psicologia da USP e que atua em organizações sociais com a Fundação Casa, ex-Febem. A socióloga Miriam Abramovay segue o mesmo raciocínio: "Somos todos culpados e todos vítimas."
Por Rodrigo Cardoso
Fonte: Isto é Independente
Isso é uma coisa que dá pra perceber claramente.
ResponderExcluirNos ultimos meses recebi varios e-mail com brigas de meninas.