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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O brasileiro não leva o design a sério

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Pininfarina, um dos mais tradicionais escritórios do design mundial, depende agora de mercados como o Brasil. Mas é difícil fazer negócios por aqui, diz seu presidente.

Quando esteve no Brasil pela primeira vez, no ano passado, o italiano Paolo Pininfarina ficou empolgadíssimo. "Conversava com as pessoas e elas tinham várias ideias e os projetos iam surgindo.

Voltei para a Itália com mais de cem deles". Mas dessa centena de ideias, somente dez tiveram continuidade nas conversas. E, desse total, só uma realmente se tornou projeto real, que está agora em andamento. Diante desse cenário, até a vontade do designer de abrir uma operação no Brasil, um escritório da Pininfarina em São Paulo, foi por terra. "O brasileiro não leva o design a sério. Ele acha que é lazer, que é passatempo", disse Pininfarina ao Estado.

Mesmo desiludido, ele voltou ao País. "Precisamos conhecer melhor como funcionam as coisas por aqui porque o Brasil é importante para nós." A Pininfarina tem 82 anos de história no design, principalmente no campo automobilístico. É da empresa italiana o desenho de vários sucessos da Alfa Romeo, Ferrari, Fiat, General Motors, Lancia e Maserati. Mesmo com toda essa tradição, a Pininfarina não escapou da crise na Europa. A empresa - que foi além do design e chegou a ter três fábricas de automóveis de luxo e 3 mil funcionários - acumulou 600 milhões (R$ 1,5 bilhão) em dívidas. Sob o comando de Paolo Pininfarina desde 2008, a companhia passa por uma reestruturação. A dívida foi renegociada no início do ano e será paga até 2018. As vendas, porém, ainda não se recuperaram. De 670 milhões há cinco anos, caíram para 53,8 milhões em 2011, número 73,6% inferior que o de 2010, de 204,41 milhões. A saída, mesmo que complicada, segundo Pininfarina, é investir em mercados como o Brasil.

A indústria automobilística está em crise e a Pininfarina tem uma grande dependência desse setor, não é?
Sim, 90% de nossas vendas vêm da indústria de transportes, carros, barcos. A parte de mobiliário vinha crescendo bastante e já chegou a 10% do negócio. Mas a crise atingiu também o setor de móveis. Se ninguém compra casa nova, também não compra mobília. A saída, então, é procurar novos mercados, fora da Europa e Estados Unidos, como a Ásia, a Índia e o Brasil.

Diante dessa constatação, por que vocês desistiram de abrir escritório aqui?
Porque o brasileiro não leva o design a sério. Não leva as ideias a sério também. Parece que fazer negócio é lazer, um passatempo. Quando vim para cá no ano passado, todo mundo ficava muito empolgado com a Pininfarina. Todos tinham ideias, projetos. Fiquei deslumbrado. Mas quando voltei à Itália, apenas uns dez desses projetos tiveram continuidade e só um vingou. Conclusão? Perdi muito do meu tempo.

Qual dos projetos vingou?
Não posso falar o que é. O cliente é uma empresa que tem atuação tanto aqui quanto na Europa. E lá nós já temos uma parceria boa com essa empresa. O projeto é algo que era para acontecer só em São Paulo, mas que agora irá para outros Estados também. Estamos estudando para onde ir.

O sr. parece ter ficado ressentido com o ambiente de negócios no Brasil...
Sim... Por exemplo, tive uma reunião das 10h às 16h com uma empresa que quer fazer alguns produtos em parceria com a Pininfarina. A cada minuto que discutíamos, surgia uma nova possibilidade, uma nova ideia. O risco é não dar foco ao assunto. Aí volto para Itália com um monte de ilusões. As pessoas precisam ser mais realistas. Mas o Brasil é extraordinário e não vamos deixar o País de lado. O crescimento que vemos por aqui é alucinante. Um iate que desenhamos para uma empresa europeia vende, lá na Europa, quatro por ano. Aqui se vende mais de 40.

Como a Pininfarina fará, então, para atuar no País?
Precisamos conhecer melhor como funcionam as coisas por aqui. Por isso digo que não é o momento para abrir um escritório da Pininfarina no País. Talvez reforcemos o de Miami, para que atenda todas as Américas. Ou talvez possamos dividir os custos de uma representação de empresas de Turim (sede da Pininfarina, na Itália) no País, para não pesar no orçamento. Mas não sei ainda qual a melhor maneira de estar mais presente no Brasil. Só sei que precisamos estar aqui para aproveitar o crescimento do País.

Por aqui, a classe que mais cresce é a C, que compra produtos de massa. Mas a Pininfarina é mais voltada para o luxo. Existe alguma intenção de ir para o consumo de massa?
Não tenho nada contra o consumo de massa, mas o problema para nós é a logística. Para atuar nesse mercado, é preciso produzir aqui, caso contrário fica muito caro. Por isso, nossa estratégia é continuar mais no segmento de luxo, que também tem crescido absurdamente no Brasil.

Como estão os negócios entre a Pininfarina e as montadoras hoje?
Hoje, vamos ainda bem com as montadoras porque nosso maior negócio é com as companhias alemãs. A Alemanha é 30% de nossas vendas. Só a Volkswagen tem, nesse momento, mais de 100 modelos em desenvolvimento. Não são todos irão para o mercado. E também não participamos de todos, mas de grande parte. Outro grande projeto nosso é o do carro elétrico, com a Bolloré, em Paris.

Como anda esse projeto?
Vai bem. Não sabemos ainda quando poderemos lançar o carro, porque o desafio é o preço. A crise também atrapalhou um pouco. Mas chegou a dar inspiração em alguns momentos. Por exemplo: a empresa de pintura automobilística da região faliu e não pudemos pintar o carro, que foi batizado de Bluecar. Mas aí percebemos que ele não precisaria ser pintado. Com isso, economizamos tinta, tempo e mão de obra. E foi muito melhor para o ambiente. O carro. além de tudo, ficou magnífico na cor natural do aço.

Fonte: Estadão

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Entrevista com Fabio Gandour, da IBM: Você vai se fundir com uma máquina

Fábio Gandour é um homem que tem a missão a descobrir o futuro – ou de inventá-lo, se assim preferirmos. Na posição de cientista-chefe do Laboratório de Pesquisas da IBM Brasil, ele tem os olhos voltados para a inovação, seja de que área e que tipo for. Sua trajetória como cientista é longa.

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Graduado em Medicina e em Ciências da Computação, Gandour começou a trabalhar na IBM em 1990, com atuação no Brasil e no exterior nas áreas de engenharia de software, marketing e desenvolvimento.

Nesta entrevista em vídeo ao blog, ele analisa os efeitos da computação nos dias atuais, chamada por ele de computação cognitiva, por lidar com o conhecimento.

E já explica qual é a próxima fronteira da tecnologia. “É o momento em que a máquina começa a se fundir com o homem. Isso já está acontecendo”, afirma. “É a era do transumanismo”.

E o que é o transumanismo? Confira no vídeo as explicações de Gandour, dadas com clareza e muito, muito bom humor.

 

Fonte: Istoé Dinheiro

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Especialista em neuroética levanta questão sobre propriedade de memórias

Com extensões tecnológicas às nossas memórias pessoais, com quem fica o direito do que pensamos?

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Uma entrevista com o especialista em neuroética, Matthew Liao, levantou a bola do direito sobre ideias e memórias em uma era digital.

Conduzida pelo New York Times, a entrevista foi parcialmente reproduzida pelo site Wired. O argumento serve como ponto de reflexão.

Liao é mais um que defende que, com o avanço da tecnologia, estamos usando mais e mais redes online e dispositivos portáteis como “bancos de memória pessoal”, que ampliam nossa capacidade de guardar informações. Mas, o que acontece quando esses bancos não pertencem ao utilizador, e sim à empresa que os criou?

“Hoje mesmo, quando você trabalha para uma empresa, quando você sai, seu chefe pode tirar o seu computador, seu telefone, mas não a sua memória. Agora, quando chegamos ao ponto que um funcionário recebe melhorias à sua memória vindas de um chip, de quem é a propriedade? A fabricante do chip o detém como o Facebook detém os dados que você envia aos seus produtos atualmente?”

Fonte: Geek

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

10 perguntas para Ronaldo Lemos, especialista em direito digital

"Os dados dos usuários são o petróleo da internet"

A aprovação do Marco Civil da Internet, projeto que está à espera de votação na Câmara dos Deputados e define as principais questões relacionadas ao uso da rede no Brasil, representará o fim da insegurança jurídica nessa área. A opinião é do advogado Ronaldo Lemos, especialista em direito digital e um dos idealizadores do Marco Civil. Mestre em direito por Harvard e professor visitante de universidades como Princeton, nos EUA, e Oxford, na Inglaterra, ele analisa aqui o teor do projeto e a questão da privacidade na rede. “Os dados pessoais tornaram-se hoje o ‘petróleo’ da internet”, afirma Lemos, que acaba de se tornar sócio do escritório Pereira Neto Macedo Advogados, de São Paulo. “A questão importante é proteger espaços de anonimato na rede.”

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O Marco Civil da Internet está para ser votado na Câmara. Por que esse projeto deveria ser aprovado?
O Marco Civil é determinante para o futuro da rede no Brasil. Hoje, passados mais de 15 anos de acesso à internet no País, ainda não existe lei definindo os alicerces civis da rede. Isso foi feito em outros países há mais de uma década e mostrou-se um elemento essencial para a inovação. Não existiria o YouTube ou o Facebook se os EUA não tivessem feito o seu Marco Civil, em 1998. Sem lei, cada juiz fica livre para decidir a questão como bem entender. O resultado é uma enorme insegurança jurídica, decisões contraditórias e casos estapafúrdios. 
 
Como as empresas saem prejudicadas num ambiente desses? 
Hoje, sem regras, vivemos o pior dos mundos. Não existe segurança jurídica para os empreendedores na internet. Isso só favorece os grandes sites internacionais, que têm departamentos jurídicos bem estabelecidos. Mas o pequeno empresário brasileiro não tem esses mesmos recursos para lidar com tanta incerteza na rede. Por isso é importante que uma lei como o Marco Civil defina as principais questões. 
 
Recentemente, o Congresso aprovou as chamadas Lei Carolina Dieckmann e Lei Azeredo, sobre crimes digitais. Qual sua avaliação sobre ambas? 
A Lei Azeredo foi objeto de um grande debate público, que aperfeiçoou seu texto, excluindo as redações problemáticas. No fim, a lei foi aprovada contendo apenas cinco artigos, e não os 22 previstos originalmente. Isso é positivo. Com relação à Lei Carolina Dieckmann, é similar. Trata-se de lei que foi construída em amplo processo de consulta técnica, do qual participei. O resultado é uma lei pontual, que também evita os efeitos colaterais que poderiam surgir no tratamento dos cibercrimes. 
 
Essas duas leis se interpõem ao Marco Civil? 
Havia um acordo político para que elas fossem aprovadas junto com o Marco Civil. Isso não aconteceu. A aprovação das leis criminais antes do Marco Civil passa a impressão de que os problemas “de polícia” têm precedência sobre todos os outros. Mas ao menos os textos dessas leis foram harmonizados com os princípios do Marco Civil. 
 
A discussão sobre a privacidade na internet ganha força. Quais os aspectos que devem ser analisados nessa questão? 
Os dados pessoais dos usuários tornaram-se hoje o petróleo da internet. A coleta desses dados são os fatores que viabilizam a maioria dos modelos de negócio da rede. No Brasil, há um paradoxo: a privacidade está protegida pela Constituição, mas não existem leis específicas tratando de forma abrangente o tema. 
 
A possibilidade de o usuário permanecer anônimo na internet divide opiniões. Qual sua posição a esse respeito?
O espaço para o anonimato na web vai se tornar ainda menor com a modificação do protocolo da rede para o chamado IPv6. Com ele, cada objeto que se conecta à rede terá um endereço de IP único e imutável. Isso faz com que a identificação da fonte de uma determinada informação na rede torne-se mais fácil. As repercussões disso para a privacidade são muitas. Hoje, a Constituição veda o anonimato na manifestação do pensamento. Mas e o anonimato na simples busca da informação, sem manifestar nenhuma ideia? Pense, por exemplo, em alguém que pesquisa na web sobre tratamentos de uma doença crônica, e o seguro usa esse fato para subir as mensalidades do plano de saúde. A questão importante é proteger espaços de anonimato na rede, que estão se tornando cada vez mais excepcionais.
 
Qual a distância entre os direitos autorais no Brasil e nos EUA? 
O do Brasil é um dos mais restritivos do mundo. Nos EUA existe o conceito de “fair use” (uso justo), que consiste na possibilidade da lei autorizar a utilização de obras quando, por exemplo, isso não gera prejuízo aos autores. No caso da lei de direitos autorais brasileira, essas autorizações são casuísticas e restritas. 
 
Por que o debate sobre atualização na questão da propriedade intelectual no Brasil aparentemente está parado? 
A propriedade intelectual é um assunto complexo. Apesar disso, o País por muito tempo a tratou como algo de pouca importância. 
 
A falta de uma legislação que defina regras para veiculação de conteúdo diretamente da internet, também conhecido como strea­ming, retarda a vinda de empresas de tecnologia para o Brasil?
Certamente. O direito brasileiro tem gerado grande insegurança com relação à internet. A questão do streaming é só mais um exemplo. A empresa que hoje trabalha com a oferta de vídeos, especialmente na web, enfrenta várias questões. Uma delas é se deve ou não pagar ao Ecad valores sobre a execução de obras musicais. Ou se pode, por exemplo, obter autorizações das músicas diretamente com os autores. O YouTube fez um acordo com o Ecad com relação às músicas veiculadas através do site. Isso não impediu que o Ecad ameaçasse cobrar direitos autorais de qualquer blogueiro, simplesmente por incorporar vídeos do YouTube em seu site, uma cobrança dobrada. 
 
Como estão os processos movidos pelas empresas que recorrem para não pagar o Ecad? 
Há decisões em vários sentidos. E, eventualmente, há a concessão de liminares suspendendo a cobrança.
 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Brasil não tem estrutura nem ambição para ser rico, diz economista indiano

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Indiano da cidade de Wellington, no extremo oeste da Índia, o atual diretor de mercados emergentes do banco Morgan Stanley, o economista Ruchir Sharma, adota um discurso cético quando se põe a falar sobre o Brasil.

A despeito dos últimos dez anos de crescimento econômico praticamente ininterrupto, Sharma descrê do discurso que vê o país rumo ao status de uma nação desenvolvida.

“Eu não creio que o Brasil esteja no caminho certo, ao menos por enquanto”, afirmou em entrevista concedida ao UOL por email. Os motivos já fazem parte de uma análise clássica: excesso de impostos, altos gastos do governo, falta de investimento em infraestrutura e presença muito forte do Estado na economia.

Sharma também diz que falta uma certa “dose de ambição” para o Brasil ser rico.

Segundo o economista, o país também depende demais dos países importadores de commodities (como minério de ferro), sobretudo da China.

Ele ainda ressalta que o crescimento da Bolsa de Valores do Brasil para os próximos anos deve estar abaixo dos demais países emergentes, que devem registrar uma alta na casa dos 10%.

Sharma ainda critica o acrônimo Bric –termo cunhado por um analista do banco concorrente Goldman Sachs e que coloca Brasil, Rússia, Índia e China dentro de um mesmo grupo. “Esses países são as maiores economias de suas respectivas regiões, mas, para além disso, não possuem mais nada em comum”, diz.


Ele afirma que dificilmente os países em desenvolvimento vão  se tornar ricos. “Seria muito bom se todos os pobres pudessem alcançar os padrões de vida dos ricos, e nós pudéssemos acabar em um mundo onde todos estariam no topo. [Mas] temo que não veja isso acontecer, certamente não no futuro previsível.”

Ruchir Sharma acabou de lançar o livro “Os Rumos da Prosperidade”, pela  Editora Campus, em que faz uma análise da economia dos países emergentes e sua relação com o resto do globo.

A seguir, leia os principais trechos da entrevista.

UOL - O sr.  diz que não faz sentido agrupar Brasil, China, Rússia e Índia em um único bloco. Por quê?
Ruchir Sharma -
Esses países são as maiores economias de suas respectivas regiões, mas, para além disso, não possuem mais nada em comum. Todos os quatro estão em diferentes estágios de desenvolvimento –a Índia tem uma renda per capita próxima de US$ 1.500, a China, perto US$ de 6.000. Brasil e Rússia possuem rendas per capia próximas de US$ 12.000. Então eles encaram desafios bem diferentes.

Entre eles há importadores e exportadores de commodities [matéria-prima, como minério de ferro, usado para fabricar aço], produtores fortes e fracos de manufaturas, e por aí vai. Economias precisam ser compreendidas como casos individuais, e talvez o pior impacto de conceitos “marqueteiros” como o de “Bric” tenha sido o encorajamento do péssimo hábito de se pensar as nações emergentes como uma categoria sem rosto ou como subcategorias com acrônimos sem sentido.

O sr. acha que está totalmente furada a previsão de que os Brics superarão, até 2050, o PIB e a renda per capta do G-6 (EUA, Japão, Reino Unido, Alemanha, França e Itália)?
Eu nem chego a discutir essa previsão, como, aliás, me rebelo contra toda essa moda de fazer previsões a longo prazo. Eu sei que praticar futurologia é até divertido, que pretender enxergar o próximo século é irresistivelmente gratificante para alguns, mas também não deixa de ser intelectualmente desonesto. Será que essas pessoas que ficam fazendo tais previsões serão responsabilizadas pelo que falam?

Existe uma boa razão para que pessoas sérias, aquelas incumbidas de fazer as coisas acontecer no mundo real –CEOs, grandes investidores- foquem apenas nos próximos três a cinco anos, no máximo dez anos, enquanto toda essa moda de previsões a longo prazo são proferidas principalmente por “experts”, professores e marqueteiros.

Para além do período de cinco a dez anos, muitas das mudanças que podem ser previstas irão ocorrer juntamente com resultados impossíveis de previsão –eleições de novos governos, o aparecimento de novos competidores (como a China depois de 1980), ou de uma nova tecnologia (a internet depois de 1990).

A certeza desses importantes mas completamente imprevisíveis acontecimentos torna previsões de longo prazo totalmente sem sentido.

O sr. acha que só a China tem o potencial para exercer um crescimento estável e forte até 2050 ou nem mesmo esse país?
Eu analiso a China apenas para o próximo período de cinco a dez anos, e por muito tempo tenho pensado que o país estava prestes a desacelerar seu ritmo de dois dígitos de crescimento visto na última década. Toda nação que alcançou um crescimento rápido e sustentável por ao menos três décadas, incluindo Japão, Coreia do Sul e Taiwan, continuou a crescer, mas desacelerou significativamente em três ou quatro pontos percentuais quando atingiu um estágio similar de desenvolvimento no qual a China está hoje.

Nesse ponto, a economia é simplesmente muito grande para crescer tão rápido, e é assim que a China está agora.

Quais seriam os efeitos no Brasil se gigantes como a China reduzissem suas importações?
Nós estamos vendo isso agora. O Brasil tem confiado fortemente na exportação das commodities para países consumidores liderados pela China, e a desaceleração desse país é um grande motivo que nos faz ver o crescimento no Brasil escorregar para 2%, e o crescimento na Rússia escorregar para 3% a 4%. Ambos os países têm feito muito pouco para melhorar o ambiente de investimento doméstico, e o investimento deles em relação ao PIB continua muito devagar para estimular qualquer crescimento econômico mais rápido.

Na sua visão, poucos países alcançarão o estágio de nações desenvolvidas. O Brasil será um deles?
Eu não creio que o Brasil esteja no caminho certo, ao menos por enquanto. Um de seus grandes problemas é seu grande histórico de tributação e gastos em níveis muito altos, não acompanhados de suficiente investimento produtivo –fatores que deixaram o país com uma infraestrutura muito fraca, e, portanto, com uma tendência de crescimento em um ritmo muito devagar.

Outro problema é que o Brasil, instigado por seu histórico de instabilidade econômica, tem estado nos últimos anos mais preocupado com a estabilidade do que produzir crescimento –o que o deixa fundamentalmente menos ambicioso que muitos mercados emergentes.
E, por último, o Brasil ainda possui a mania de resolver seus problemas com a mão do Estado: a parte do Estado na economia do Brasil é muito alta para um país com seu nível de renda, comparado aos Estados de Bem-Estar Social avançados na Europa. Basicamente, o Brasil precisa de uma reforma estrutural profunda, que reduza seus impostos e gastos com encargos, e uma dose de ambição para se colocar em um movimento de arranque.

Se economias de países importadores como a China desacelerarem, como o Brasil poderia escapar de seus efeitos negativos em tal situação?
Eu acho que o Brasil poderia começar com o básico que eu falei acima. A atual situação é apenas um sintoma de problemas mais profundos com o papel do Estado, com o impacto de seu histórico, com as décadas de tendências de investimento ultrapassadas, a má infraestrutura etc.

Quais são as perspectivas para a Bolsa de Valores brasileira nos próximos anos?
Nossas previsões dizem que as Bolsas do mundo em desenvolvimento devem crescer por volta de 10% em média em dólar, por ano, nos próximos cinco anos. Não tenho uma previsão específica para o Brasil, mas acho que o país deve ficar abaixo de outros mercados emergentes, especialmente em dólar, já que a moeda ainda está muito cara.

O sr. defende que as diferenças entre a renda per capita dos países ricos e a dos países pobres voltaram para os níveis na década de 50.
Foi Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil (1999-2002), que me mostrou que a renda per capita do país havia crescido de 12% para 25% da renda per capita americana durante o primeiro boom de crescimento dos anos 50 e 60, caiu para 16% durante as décadas perdidas, e voltou a 20% na última década. A experiência brasileira, tal qual uma estrela que morreu e caiu do céu, é uma característica típica dos mercados emergentes.

Um recente artigo do economista político de Harvard Dani Rodrik mostra que antes dos anos 2000 o desempenho dos mercados emergentes como um todo não “convergia” ou alcançava o mundo desenvolvido. Na verdade, a diferença entre a renda per capita entre os países avançados e as economias em desenvolvimento aumentou de maneira estável dos anos 50 aos anos 2000. Foi somente depois dos anos 2000 que o desempenho dos mercados emergentes começou a alcançar o dos países desenvolvidos, mas em 2011 a diferença na renda per capita entre os países ricos e os países em desenvolvimento está de volta ao que era nos anos 50.

O sr. fala que há uma desilusão com os antigos paradigmas econômicos, como os do Japão, União Europeia e o Consenso de Washington, e que novos modelos deverão surgir. Quais seriam esses modelos? E o que havia de errado com cada um dos outros?
Modelos surgem com o sucesso das grandes potências. Hoje nenhuma nação desenvolvida é vista como bem-sucedida. A crise da dívida de 2008 minou a credibilidade de todos esses modelos; economias que um dia estavam reivindicando entrada na zona do euro, como Polônia, República Tcheca e Turquia, se perguntam agora se realmente querem entrar em um clube em que muitos de seus membros estão lutando para não se afundarem.

A Turquia, por exemplo, se tornou um exemplo brilhante para os países islâmicos que estão lutando e adorariam seguir o modelo de rápido crescimento turco. Mas o que pôs a Turquia no caminho certo foi a ortodoxia –a redução da dívida, o estrangulamento da superinflação– então o que acabamos vendo agora é um respaldo político islâmico para o consenso de Washington [corte de despesas públicas].

O sr. diz que a noção de convergência a longo prazo entre o mundo em desenvolvimento e o mundo desenvolvido é um mito. Por que esse mito ainda é reproduzido?
As ideias relacionadas a um grande boom econômico sempre demoram mais para morrer, mas essa tem demorado mais do que a maioria. Apenas poucas pessoas ainda falam com aquele ideal sobre como a tecnologia poderia fazer do mundo um lugar melhor, coisa que todos ouvíamos  até a bolha da internet estourar.

O crescimento em mercados emergentes tem desacelerado profundamente desde 2008, mas você ainda ouve muito sobre convergência, talvez porque seja uma visão transformadora profunda. Seria muito bom se todos os pobres pudessem alcançar os padrões de vida dos ricos, e nós pudéssemos acabar em um mundo onde todos estariam no topo. Imagine: competição global sem perdedores. Temo que não vejo isso acontecer, certamente não em um futuro previsível.

A história sugere que o desenvolvimento econômico é como um jogo de cobras e escadas. Não há um caminho direto para o topo, e há menos escadas que cobras, o que significa que é mais fácil cair do que subir.

Uma nação pode subir as escadas por uma década, duas, três, até topar com outra cobra e cair novamente para o chão, onde deve começar tudo de novo, e talvez de novo e de novo, enquanto os rivais passam por ela.

A percepção de que o jogo de crescimento subitamente se tornou simples –no qual todos podem ser um vencedor– é construída em cima de resultados únicos da última década, quando virtualmente todos os mercados emergentes cresceram juntos. Mas essa foi a primeira e, provavelmente, a última vez que nós veremos essa era de ouro: na próxima década, quase que com certeza, não veremos mais isso.

Fonte: UOL

domingo, 7 de outubro de 2012

A segunda revolução do design

O designer italiano Vanni Pasca faz a curadoria de uma coleção de móveis inspirada no Brasil e produzida com matérias-primas nativas. A proposta é ousada: elevar o status dos produtos brasileiros. 


Cordas que viravam cadeiras, tramados de arames que davam origem a fruteiras, fibras naturais como cúpulas de luminárias. Com esse tipo de reinvenção, os irmãos Fernando e Humberto Campana, de São Paulo, respectivamente arquiteto e advogado, driblaram a deficiência tecnológica da indústria brasileira de móveis e deram uma injeção de ânimo no design. Em 1992, o arquiteto e crítico italiano de design Vanni Pasca ficou impressionado com o trabalho da dupla e os levou, dois anos mais tarde, para expor em uma mostra de design na cidade de Verona, na Itália. Depois disso, os irmãos Campana ganharam o mundo com suas criações e hoje usufruem um prestígio no segmento de mobiliário de luxo.

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Esse foi o primeiro passo da primeira grande revolução do design brasileiro, que até hoje influencia o setor. Agora, o mesmo Vanni Pasca, aos 76 anos, quer promover a segunda guinada no design brasileiro. Em parceria com a loja paulistana A Lot Of, de móveis de alto padrão, a ideia é fazer um mapeamento das matérias-primas do País e de sua capacidade produtiva, para que depois dez designers de todo o mundo – um deles brasileiro – desenhem peças de acordo com as necessidades do País. Para isso, Pasca vai trabalhar junto ao designer e proprietário da A Lot Of, Pedro Franco, que também recebeu o reconhecimento do crítico. 

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A poltrona Orbital, que saiu da prancheta de Franco, foi capa do livro Scenari del giovane design (Cenário do design jovem, em tradução literal), lançado em 2002, organizado pelo agora companheiro de empreitada. “Estamos fazendo uma seleção do dream team do design internacional”, afirma Franco, um dos profissionais influenciados pelos Campana. Ele diz ter investido R$ 120 mil nesse levantamento. A previsão é de que o custo total até o desenvolvimento da capacidade produtiva da coleção será de cerca de R$ 1 milhão. “A proposta é genial, como outras que já foram tentadas”, afirma Giovanna Ruiz, consultora de mercado de luxo e professora da Universidade Anhembi Morumbi. 
 
“Mas se a coleção emplacar, pode redefinir os rumos da indústria moveleira nacional de alto padrão em todo o mundo.” O objetivo é que essa coleção esteja pronta em abril do ano que vem, a tempo de expor as peças no Salão Internacional do Móvel de Milão, a mais importante exposição do setor. Só neste ano, o evento teve 292 mil visitantes, sendo 188 mil estrangeiros de 154 países, de acordo com a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria. Franco quer aproveitar para mostrar as dez peças da coleção, que vai se chamar A Lot of Home, e tirar uma temperatura da receptividade. Se der tudo certo, os itens começam a ser vendidos no Brasil.
 
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 Fonte: Istoé Dinheiro

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Robert J. Lang interview

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Designboom recently spoke to origami artist Robert J. Lang about his work and the changes he's noticed in the art of paper folding over the years.
 
DB: Please can you tell us a bit about your background in origami?
RJL: I started origami at the age of six. A craft book that had a few origami instructions was what sparked my interest. Origami was a way of making toys with nothing more than scrap paper.

How did it develop from a past-time to a full time profession?
Over the course of 30 years or so, I devoted more and more time to it. Eventually, I reached a point where I felt I could, and should, take it full-time.

How did you learn origami?
I worked entirely from books for many years. I corresponded with neal elias,
an american master, when I was in my teens. it wasn't until my 20s that I met other folders in person and got to see other origami directly and interact with others.

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Who are some of your favorite origami artists?
Yoshizawa, neal elias, fred rohm, michael lafosse, satoshi kamiya. Sipho mabona, brian chan, joel cooper, eric gjerde and chris palmer.
 
What are the key differences between the origami of today and that of 40 years ago?
There is vastly more diversity today. the most complex origami is orders of magnitude more complex than that of 40 years ago, but there are also many styles today that just didn't exist: tessellations, mathematical abstract, hyperrealism.

Socially, it is also quite different: there is now a large, worldwide community where everyone is in constant touch with everyone else. thus, when someone develops something new, others can quickly and easily learn about it and build upon it. thus, the pace of change in the art is vastly higher.

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How does your passion for mathematics feed into your origami work?
Mathematics allows me to achieve artistic ideas and goals that I would have no idea how to accomplish otherwise. in addition, there artistic goals that come directly from mathematics, where the art is created to address a mathematical aesthetic.

What challenges have you set yourself with future projects - What direction do you see your work moving in?
I'm working on developing life and expression in my representational work, on developing new mathematical ideas in my geometric/mathematical work, and on developing new ways of using origami within art (e.g., rendering it in other materials, such as metal).
 
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What are the most common techniques / folds that you use in your work?
I design mostly in the style known as 'origami sekkei' or 'technical folding' which tends to be fairly complex. I do a lot of 'wet folding' in which the paper is dampened during the folding process.

What has been your most difficult project to date?
Each project I take on is a new challenge. the american flag is was of the most challenging, because I had only a week to design and fold it and have it ready for photography.

What tip would you give to an origami beginner?
Strive for precision; you should never make a fold sharp, or even make a folding mark on the paper, before you can tell that it is forming in the right place.
 
Fonte: Designboom

sábado, 29 de setembro de 2012

“Os chips vão monitorar seu corpo”, diz cientista da IBM

Gandour afirma que será possível uma transformação radical no treinamento de atletas e monitoramento da saúde de pacientes

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Médico e Ph.D. em Ciências da Computação, o cientista-chefe da divisão de pesquisa e desenvolvimento da IBM no Brasil, Fábio Gandour, diz que o uso intensivo de chips nas roupas, mobiliários e até no banheiro vai gerar informações suficientes para que cada pessoa possa monitorar em detalhes o funcionamento de sua saúde.

Após acompanhar as Olimpíadas de Londres, na Inglaterra, e ver as inovações das delegações esportivas, Gandour afirma que nos próximos quatro anos será possível ver uma transformação radical do método de treinamento de atletas de alta performance e monitoramento da saúde de pacientes por meio do uso de chips no corpo humano.

Como o uso de sensores poderá influenciar o esporte e a saúde das pessoas?
O uso de chips que medem deslocamento, velocidade, temperatura e até o volume de líquido perdido por um esportista poderão gerar dados, em tempo real, para análise das comissões técnicas. Na prática, o treinador poderá ver por meio de informações geradas por uma pulseira ou um tênis com sensores quais atletas estão mais desgastados, quem está se esforçando menos e usar isso para tomar decisões táticas, como uma substituição ou mudança de estratégia num jogo. Já para a pessoa comum, esses chips permitirão um cuidado mais detalhado de seus treinamentos e até uma troca mais intensa de informações com seu professor ou orientador. Um médico poderá, por exemplo, receber os dados de um paciente em seu celular e recomendar um ajuste na atividade física, por exemplo.

Será possível fazer exames de sangue e urina sem ir a um laboratório?
No caso de uma coleta de sangue, ainda estamos distantes de automatizar isso, mas para o exame de urina isso é totalmente possível. Nós podemos criar, por exemplo, um vaso sanitário com chips capazes de medir o volume de urina expelido por uma pessoa e até analisar a qualidade daquela urina, identificando se ela está rica em determinada substância e pobre em outra. O vaso inteligente poderia, por exemplo, reconhecer as pessoas em função de sua altura ou peso. Assim, numa casa, um vaso usado por 4 pessoas, por exemplo, conseguiria registrar exatamente qual resíduo é de cada usuário e enviar relatórios para serviços de computação em nuvem.

O que falta para isto se tornar possível?
Falta alguém que invista para criar esse produto, pois as tecnologias para viabilizar isso já existem todas. Há muitos aspectos técnicos e morais a serem debatidos, pois algumas pessoas podem se sentir ofendidas por serem monitoradas o tempo todo, até no banheiro. Mas, sem dúvidas, quando isso acontecer haverá um incremento muito grande na prevenção de doenças. Enfermidades que podem ser descobertas com exames simples serão detectadas precocemente, aumentando em muito as chances de cura.

Essas tecnologias devem aparecer primeiro nos esportes de alto rendimento?
Sim, o natural é que equipes esportivas tentem tirar vantagem destas inovações para treinar atletas com performance superior. Se você monitora o desgaste físico, o nível de força usado num movimento, a temperatura do corpo de um atleta, então você terá mais insumos para tomar decisões melhores sobre quando é hora do atleta descansar ou quando deve haver um reforço na musculação ou no treino aeróbico. Os esportes mais ricos, como basquete ou futebol, poderão puxar esta inovação. Com o tempo, isso deve chegar também ao usuário comum.

A tecnologia poderá prolongar a vida humana até qual limite?
Não temos essa resposta. É evidente que mais dia menos dia todos nós vamos morrer, mas podemos ampliar a longevidade humana e, mais do que isso, a qualidade de vida das pessoas, evitando que adoeçam ou comprometam sua saúde por não perceberem a evolução de enfermidades assintomáticas. O monitoramento digital do corpo humano certamente salvará muitas vidas.

Fonte: EXAME

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

DESIGN BRASILEIRO É ALEGRE E LIVRE PARA O FUTURO”, DIZ O REITOR DA UEMG, DIJON MORAES JÚNIOR



Ofício, que começa a se profissionalizar no país, ganha um importante reforço com a IV Bienal Brasileira, que acontece em BH até 31 de outubro. Desde uma pequena colher de chá até uma aeronave de última geração, o design está presente e é o grande responsável por dar identidade e caracterização aos objetos produzidos pelo homem. No Brasil, o design, uma atividade cujos limites de atuação são quase irrestritos, começa a se profissionalizar e assumir suas próprias características. Com o tema “Diversidade Brasileira”, a IV Bienal Brasileira de Design, que acontece pela primeira vez em Belo Horizonte, colocará em evidência de 20 de setembro a 31 de outubro, o design produzido em Minas e do país.
Além disso, estimulará o debate sobre a geração de idéias e conhecimento, a inserção do design na indústria e a profissionalização da profissão. Para o reitor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e coordenador geral local da IV Bienal Brasileira de Design, Dijon Moraes Júnior, o estímulo é muito bem vindo. Segundo ele, o tema começou a ganhar força e a se profissionalizar no Brasil há cerca de 15 anos e, hoje, o país já é um “fenômeno” no assunto. “Perdemos apenas para a China e os Estados Unidos no número de cursos de design: hoje, são 530 cursos em todo o país. Isso quer dizer que o tema está ganhando cada vez mais importância e que a procura está aumentando”, ele afirma.Segundo o reitor da UEMG, o design é também um grande aliado do desenvolvimento econômico, por seu potencial de agregar valor a produtos locais. Neste aspecto, ele diz esperar que a IV Bienal Brasileira de Design, que terá mostras em diversos pontos da capital mineira, seja uma oportunidade de conscientizar os empreendedores sobre a importância deste ofício. “O design é uma atividade que possibilita o alto empreendimento e gera amplas possibilidades. Queremos aproximar o designer do produtor industrial”, explica. Doutor em Pesquisa em Design pela Universidade Politécnico de Milão, autor de vários livros, contemplado três vezes com o prêmio Museu da Casa Brasileira e premiado também no exterior, Dijon Moraes concedeu com exclusividade a seguinte entrevista para a Agência Minas:
Esta é a quarta bienal brasileira de design. Como se deu a escolha de Minas para esta edição?
É a primeira vez que a bienal ocorre em Minas Gerais. A primeira bienal de design, em 2006, aconteceu em São Paulo. A segunda, em 2008, em Brasília, e a terceira, em 2010, em Curitiba. Há dois anos, portanto, o Estado de Minas Gerais se candidatou para realizar a edição de 2012 do evento e venceu. Acredito que isso tenha ocorrido por Minas ser a terceira maior economia do Brasil, uma região estratégica, com espaços adequados e apoio em massa do governo e dos parceiros envolvidos.
O tema deste ano da Bienal é “Diversidade Brasileira”. Por que esta escolha?
Confesso que fiquei muito feliz com este tema. Sempre houve uma grande busca pela identidade do design brasileiro. Depois de muitas reflexões e amadurecimento, chegou-se à conclusão de que a riqueza do design do nosso país não estava em uma única identidade, mas em sua diversidade. A diversidade brasileira é uma marca do nosso design, da nossa identidade em diversos segmentos da indústria e da produção. E isto é um fator positivo, que enaltece a produção de design no país.
Desta diversidade, quais matizes você destaca como sendo particularidades do design brasileiro?
O design brasileiro, ao contrário do que vemos em alguns países mais tradicionais, não tem nenhuma tradição do passado. Ele é um design livre para o futuro, para se inventar. Em algumas culturas, o design é muito rígido em termos de estética, de forma. Mas no Brasil, temos a leveza, a suavidade, que é encontrada em obras como as curvas de Niemeyer por exemplo. Temos uma abundância de cores e volumes e exploramos isso sem culpa. É um design colorido, despojado, que tem alegria, frescor e suavidade, características que você encontra em qualquer lugar do Brasil. Na IV Bienal, é possível identificar esta particularidade em mostras que vão desde automóveis a jóias e acessórios. E cada uma dessas peças tem esta brasilidade, que é a nossa riqueza e nosso diferencial hoje no mercado global.
De onde veio a inspiração para a principal mostra da Bienal, intitulada “Da Mão à Máquina”?
Esta mostra foi concebida pela curadora da Bienal, Maria Helena Estrada. Ela propõe mostrar que a riqueza da diversidade brasileira vai desde o artesanato até a produção industrial, da mais alta tecnologia. E isso diz muito sobre o Brasil, sobre as realidades distintas do nosso país, que o design reflete e aproveita. Desta criatividade que vai do produto mais básico ao mais sofisticado.
Como a iniciativa da Bienal estimula o fazer artístico e a produção do design em Minas e no Brasil?
Esperamos que a Bienal deixe suas marcas em Minas. Queremos que ela se torne um fator de estímulo para a consolidação da inserção do design no parque produtivo mineiro. Porque tanto em Minas quanto no Brasil, o design ainda não está consolidado; ele não é empregado de forma concisa em todas as empresas. Algumas aplicam, outras não. Um evento deste porte, com várias mostras e atividades, faz com que as pessoas vejam de perto, respirem design. Vamos mostrar cases de sucesso ao empresário e ao consumidor, para que eles vejam o tamanho do diferencial que o design agrega a um produto.
Como o senhor, como um especialista nesta área, avalia o posicionamento do design mineiro e do brasileiro hoje, no Brasil e no mundo?
É um tema muito recente. O design brasileiro começou a aparecer de forma mais concreta, como uma atividade passível de produção em série e exportação, de apenas 15 anos pra cá. Por isso, ainda existe uma lacuna muito grande entre as escolas, os designers e as empresas. Esta lacuna está começando a se reduzir agora e esperamos que a Bienal seja um estímulo para reduzir estas distâncias.
A programação da Bienal dedica algumas ações voltadas também aos próprios designers e estudantes de design. Qual a importância da profissionalização desta atividade?
Esta é uma grande novidade. Pela primeira vez, atividades acadêmicas aparecem como destaque na programação da Bienal. Juntamos a universidade com o parque produtor. Teremos encontros com presença de designers internacionais, incluindo um grande fórum no Auditório da Escola Guignard com palestrantes de oito países. Isso é importante, pois aproxima o designer das empresas, democratiza o assunto e contribui para a qualidade do trabalho. O design é transversal, passa por diversas áreas do conhecimento, e por isso exige muito estudo e preparo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Unilever renovará 70% de seu portfólio

 http://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/noticias/2012/05/08/Unilever-renovara-70-de-seu-portf-lio/newsDetails/00/imageBinary/Fernando%20Fernandez_560.jpg

Maior anunciante de bens de consumo do País, a Unilever reformulará 70% do seu portfólio de 700 produtos e 25 marcas, que inclui líderes de mercado como Omo, Seda e Kibon. A estratégia teve início com o lançamento da linha Tresemmé, há seis meses, e tem no comando o argentino Fernando Fernandez, que assumiu a presidência da operação nacional da companhia em setembro do ano passado.

O executivo passou mais da metade de seus 45 anos trabalhando na empresa anglo-holandesa, onde começou, em sua terra natal, preenchendo cheques para o pagamento de fornecedores, no final da década de 80, para depois passar pelas operações com sede na França, Inglaterra e Filipinas, da qual era o presidente antes de vir para o Brasil.

A Unilever Brasil faturou R$ 12 bilhões em 2011 e tem como meta crescer entre 6 e 7% em 2012 – ou o dobro, em porcentagem, do incremento estimado para o PIB brasileiro.

Confira abaixo trechos da entrevista que Fernandez concedeu ao Meio & Mensagem. A matéria pode ser lida na íntegra na versão impressa desta semana do Meio & Mensagem, em sua edição 1508.

Meio & Mensagem ›› Há uma estratégia para aproximar as marcas da companhia das classes mais populares?
Fernando Fernandez ›› Às vezes a gente confunde desenvolvimento econômico do consumidor com desenvolvimento cultural e educativo do consumidor. A renda per capta no Brasil explodiu nos últimos anos, o salário mínimo teve um aumento significativo. O consumidor tem um poder econômico muito maior do que há cinco anos. O nível de educação, porém, continua parecido. Companhias como a Unilever têm a responsabilidade de educar o consumidor. As mensagens têm que chegar a ele de uma maneira simples. Ele tem que ser educado quanto ao uso dos produtos, quanto ao desenvolvimento e lançamento de novas categorias. É preciso ter cuidado para que as mensagens da nossa companhia não fiquem sofisticadas demais.

Meio & Mensagem ›› Esse já é um direcionamento para as equipes de marketing?
Fernando Fernandez ›› Com certeza, quando conversamos com nossas equipes de marketing, alertamos para terem cuidado com isso. Muitos de nós têm a sorte de trabalhar em uma empresa como a Unilever, e se desenvolvem não só economicamente, mas também culturalmente, e em um ritmo mais rápido do que o consumidor médio. O risco de se olhar a sociedade a partir de uma janela no Itaim (bairro nobre de São Paulo, onde fica o escritório central da Unilever no Brasil) é muito grande. Para ficar perto do consumidor, nos primeiros três meses (no cargo), viajei por todo o Brasil, conversando com consumidores, com clientes, olhando as diferentes regiões do País. Porque hoje o risco de se ter uma visão distorcida quando se trabalha em uma posição privilegiada no centro de São Paulo é grande. Por isso, minha mensagem para as equipes de marketing e também de pesquisa e desenvolvimento é: olhem bem o mercado e estejam certos de não adotar uma linguagem que os consumidores não falam.

Meio & Mensagem ›› Como transmitir mensagens que sejam relevantes para estes diferentes públicos que convivem no Brasil?
Fernando Fernandez ›› O fato de ter um portfólio muito abrangente facilita. Algumas marcas têm mais aderência com um grupo de consumidores, outras marcas têm com outros grupos. Nosso portfólio de sabão em pó tem Omo, que cobre a parte premium do mercado, mas também tem Ala, no Nordeste, uma marca concebida para falar com o consumidor de baixa renda. Em maionese, temos Hellmanns e Arisco, uma marca mais popular. Temos essa possibilidade de fazer com que diferentes marcas falem com diferentes segmentos da população. Também não descarto que diferentes regiões tenham comunicações diferentes – isso é algo em que temos trabalhado mais ultimamente.

Meio & Mensagem ›› Após ter feito essas viagens e há sete meses na presidência da Unilever Brasil, qual a sua análise do mercado brasileiro? O que te surpreendeu mais em relação ao consumidor?
Fernando Fernandez ›› A massiva incorporação da mulher no mercado de trabalho é algo que não se pode ignorar. Há uma explosão de novas categorias (decorrentes desse fenômeno), de produtos de cuidados pessoais, de alimentos mais simples, mais convenientes. Isso vai se intensificar. Temos uma renda per capta anual de US$ 11 mil no Brasil. Sabemos que quando essa renda per capta fica entre US$ 12 mil e US$ 17 mil, é importante que haja uma expansão no número de categorias. Estamos acompanhando isso com muito interesse porque é determinante para nossas possibilidades de crescimento no futuro.
 
Meio & Mensagem ›› O ultimo relatório financeiro da Unilever, referente aos primeiros três meses do ano, aponta um cenário com moderação no crescimento vindo dos países emergentes. Isso inclui o Brasil?
Fernando Fernandez ›› O PIB brasileiro teve uma certa desaceleração no último trimestre do ano passado, isso refletiu no mercado. Mas em fevereiro e março deste ano teve início uma recuperação. Somos muito otimistas em relação ao Brasil. O País tem recursos em muitas áreas que asseguram um crescimento sustentável. A continuidade de política que o Brasil teve nos últimos 15 anos é uma mudança grande, as condições macroeconômicas do País são muito sólidas. Este ano o PIB crescerá 3%, 3,5% - não é uma base espetacular mas é uma boa base para fazermos negócios. Crescer o dobro do PIB é um objetivo muito atrativo para a gente.

Meio & Mensagem ›› Com qual cenário econômico brasileiro vocês têm trabalhado para os próximos anos?
Fernando Fernandez ›› Se não houver um choque externo relevante, acreditamos em um crescimento de 3% a 4% para o Brasil. Nesse contexto, a diferenciação é muito importante. O consumidor está demandando mais das marcas. Neste ano estamos renovando 70% do nosso portfólio. Assumimos a obrigação de levar para o consumidor produtos melhores a cada dia. O lançamento de Tresemmé, que chegou ao mercado em novembro de 2011 e já é líder de produtos para cabelo nos principais varejistas e drogarias do País, demonstra o que a Unilever pode fazer quando escuta o consumidor. E de maneira rápida. É um produto de qualidade de salão que colocamos no varejo tradicional a um preço acessível e mostra que entendemos uma necessidade do consumidor brasileiro que não vinha sendo atendida por nenhuma marca. Ouvir o consumidor e atendê-lo rapidamente traz vantagens competitivas importantes.

Meio & Mensagem ›› Como será feita essa renovação de portfólio?
Fernando Fernandez ›› Em boa parte, com relançamentos, como Omo, que neste mês ganha uma nova fórmula com um poder acelerador na remoção de manchas. Estamos fazendo o mesmo com a grande maioria das marcas e produtos no nosso portfólio. Não posso antecipar lançamentos de produtos, mas também teremos novidades importantes em novos produtos, novos segmentos. Haverá uma aceleração no processo de inovação da Unilever. Nosso drive é melhorar a performance dos nossos produtos e melhorar a equação de valor para o consumidor. Essa ideia de entregar um produto melhor a cada dia é o principal gerenciador de nossa estratégia.
Fonte: Meio&Mensagem

terça-feira, 3 de abril de 2012

Criador de Angry Birds comemora sucesso

Jogo ainda pode exercitar o cérebro e ajudar pessoas com doença de Alzheimer

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Certamente, milhares de pessoas estão jogando “Angry Birds” neste exato momento. Sucesso em todo o mundo, com 700 milhões de downloads, o game, que virou mania entre jovens e adultos, foi lançado por uma pequena empresa finlandesa há dois anos.

O princípio do jogo é muito fácil, mas não é tão simples dominar o tempo exato de implosão dos pássaros raivosos para que destruam todos os alvos. Trata-se de um jogo inteligente que não exige que se tenha ou não rápidos reflexos.

Até foi provado que o game exercita o cérebro e ajuda a memória de pessoas com a doença de Alzheimer. Peter Vesterbacka, um dos criadores do “Angry Birds”, fala ao Metro como está o jogo que paralisou diversos tipos de pessoas no mundo.

Por que pessoas extremamente ocupadas passam horas jogando o “Angry Birds”?

O “Angry Birds” é considerado um hábito saudável. Ao jogar o game as pessoas se desligam dos problemas, mesmo que seja apenas por alguns minutos. O game funciona como uma atividade relaxante, como se o usuário fizesse uma “manutenção” em si mesmo.

Então, o game não é um desperdício de tempo, mas sim uma forma de relaxar e, quem sabe, aprender?

Absolutamente. Na Finlândia, por exemplo, os meninos têm mais fluência em inglês do que as meninas. Isso acontece justamente porque o público masculino consome mais jogos para videogame em inglês. Não existe coisa melhor do que aprender brincando. Por isso decidimos lançar parques com brinquedos inspirados no game. Nesse caso, nossa ideia é mostrar para as crianças que a atividade física pode ser prazerosa.

Quando você percebeu que o “Angry Birds” seria um sucesso?

Percebi que estávamos no caminho certo no jogo número 52 quando Niklas, um dos nossos co-fundadores, foi visitar seus pais no Natal e mostrou o “Angry Birds” para a sua mãe. Normalmente, quando você mostra uma coisa para os seus pais, eles geralmente dizem: “ok, isso é bom”. Mas a mãe de Niklas jogou o game durante horas no Natal.

Você investe em marketing para deixar o game popular?

Nós não gastamos dinheiro com publicidade tradicional. Fazemos eventos especiais, como no lançamento da versão “Angry Birds” no espaço com a NASA (disponível na semana passada para ser baixada em iOS, Android ou computadores).

Onde você busca inspiração?

O segredo é ser um pouco louco. Queremos mudar o mundo e é preciso ser um pouco maluco para acreditar nisso. Muitas pessoas disseram que éramos doidos quando estipulamos nossa meta em 100 milhões de downloads do game. Mas agora temos 700 milhões de downloads.

Em outras palavras, louco não é louco?

Exatamente. Você não precisa ser louco, mas às vezes essa loucura ajuda.


Fonte: Band

quarta-feira, 28 de março de 2012

A Copa da Coca-Cola

Por que a maior fabricante de bebidas do mundo vai investir US$ 14 bilhões no Brasil até 2016.

O mexicano José Octavio Reyes jamais esqueceu o dia 16 de março de 1990, quando desembarcou no Rio de Janeiro para assumir a diretoria de marketing da subsidiária brasileira da Coca-Cola. Naquele dia, a então ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, anunciou o maior plano de confisco de ativos financeiros de que se tem notícia no planeta. Ninguém entendeu nada, muito menos Reyes, que, antes do Brasil, tinha passado sete anos em Atlanta, nos Estados Unidos, na matriz da corporação. O País ficou de ponta-cabeça, lembra Reyes, que permaneceu quatro anos no posto. Curiosamente, o seu primeiro ano, o do confisco, foi muito bom. A companhia cresceu e o lucro também. Depois, os três anos que se seguiram foram uma tragédia, um pior que o outro. “Tentamos de tudo para mudar esse quadro”, diz Reyes. “Nada deu certo.”

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Reyes, mais conhecido como Pacho, na companhia, voltou para o México em 1994, frustrado com a experiência, cujos ensinamentos, no entanto, acabaram se revelando fundamentais para a virada que ele iria promover mais tarde nos negócios da marca no Brasil e em todos os países da América Latina. Hoje, a região que vai do sul do Rio Grande, na fronteira do México com os Estados Unidos, à Patagônia é a que mais consome os produtos da Coca-Cola no mundo, respondendo por 29% do volume das vendas, à frente da América do Norte (Estados Unidos e Canadá), com 22%. Nomeado, em 2002, presidente para a América Latina – hoje o segundo principal cargo de comando na Coca-Cola, abaixo apenas do CEO mundial, Muhtar Kent –, Reyes, casado, duas filhas, promoveu uma revolução no marketing e na estratégia comercial da empresa e é o principal responsável pela estratégia que levou a região da posição de terceiro maior mercado à primeira do mundo Coca-Cola, em apenas cinco anos.

Nessa parte do planeta, o destaque é o Brasil, o quarto maior consumidor do xarope adocicado – abaixo apenas dos Estados Unidos, México e China. “As vendas da subsidiária estão em expansão ininterrupta há oito anos”, diz Reyes. Em 2011, atingiu sua maior marca em participação de mercado nos últimos 20 anos (leia o quadro ao final da reportagem). Com esse pano de fundo, é possível entender o entusiasmo de Reyes ao desembarcar em São Paulo, na semana passada, para anunciar o maior investimento da história da Coca-Cola em seus 70 anos de Brasil. Até 2016, a companhia vai investir R$ 14,1 bilhões por aqui, 50% a mais do que os R$ 9,4 bilhões desembolsados nos últimos cinco anos. Só em 2012 serão R$ 2,8 bilhões.

Com um largo sorriso no rosto, Reyes, que horas antes se reunira com os engarrafadores franqueados da marca, recebeu a DINHEIRO, na quinta feira 22, para uma entrevista exclusiva. Acomodado numa sala reservada no mezanino do sofisticado Hotel Hyatt, na zona sul da capital paulista, ele falou detalhadamente sobre o que fará com aquela dinheirama, base de sustentação dos planos da Coca-Cola para a Copa de 2014 e para a Olimpíada de 2016, eventos dos quais é patrocinadora oficial. Ele fez questão de dissociar a Coca-Cola dos deslumbrados de última hora. “Não descobrimos o Brasil agora que virou moda no mundo”, diz Reyes. “O País é uma parte fundamental da nossa vida, e é por isso que estamos investindo muito aqui.”

Bem-humorado, sem gravata e de terno cinza-claro, Reyes, 60 anos, nascido em Nuevo Laredo, no norte do México, formado em engenharia química com MBA em administração, deixou claro que, embora sejam eventos da maior importância, a decisão da empresa em dobrar as apostas no Brasil não decorre apenas da Copa e da Olimpíada. Segundo ele, o objetivo é que a Coca continue com pé no acelerador mesmo depois que a chama olímpica seja apagada. Os investimentos para o Brasil serão efetuados em diversas áreas, seja em marketing, com promoções e propaganda, seja em infraestrutura, com novas fábricas. Estão previstas mais três fábricas de refrigerantes – atualmente, a companhia possui 38, e mais três de chás, duas de sucos, uma de concentrados e três de água mineral.

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Todas as novas unidades serão erguidas de acordo com o conceito de sustentabilidade batizado de “fábricas verdes”. São fábricas concebidas nos mais rígidos padrões de preservação do meio ambiente, com iluminação e ventilação artificiais, que economizam energia e reduzem a emissão de carbono e o consumo de água. Se depender de Reyes, o ritmo de investimento, de quase R$ 3 bilhões por ano será mantido ou mesmo aumentado depois de 2016. Quase como um mantra, ele repete com regularidade: “Não há limite para crescer. Na América Latina e no Brasil, sabemos o que fazer e como fazer”, afirma, sem falsa modéstia. E o que se faz e como se faz? Esse mexicano, que fala português fluentemente, não se constrange ao dizer que foi o modelo de gestão adotado por ele que promoveu a virada na Coca-Cola nos últimos anos.

A empresa, líder em vendas de refrigerantes no País, chegou a alcançar impressionantes 60% de participação em 1991, mas estagnou em torno dos 50% entre 1997 e 2004. Nesse último ano, as populares tubaínas registravam 32,6% de participação. De lá para cá, porém, esse quadro mudou. A Coca-Cola se recuperou e marcou 59,4% no ano passado, praticamente voltando ao pico de 1991. A receita de Reyes pode ser dividida em quatro tópicos: ocasião, marca, embalagem e preço. Em resumo: não adianta cobrar um preço exorbitante por um refrigerante numa comunidade carente, mesmo em se tratando de Coca-Cola. Na década de 1990, a Coca-Cola cometeu uma série de erros. Primeiro, em decorrência, talvez, de um excesso de arrogância, ao ignorar o crescimento das tubaínas, e, depois, por ter travado uma guerra usando as mesmas armas do inimigo, que são as de centrar sua estratégia no preço.

Reyes garante que a companhia aprendeu com os erros e mudou seu método. O preço do refrigerante passou a variar dependendo da ocasião, da marca e da embalagem e do lugar. Numa comunidade carente, por exemplo, compra-se uma Coca-Cola de 200 ml por R$ 1, com embalagem retornável, enquanto no bar do Hyatt, o mesmo produto pode chegar a custar até R$ 5, dependendo da embalagem ou da hora em que é vendido. “O objetivo é que todos consumam a Coca-Cola”, afirma Reyes. “Seja a rainha da Inglaterra ou uma pessoa de uma comunidade carente.” O Brasil mudou muito desde o dia 16 de março de 1990, quando foi decretado o confisco da poupança, que deixou marcas até hoje em todos os brasileiros, incluindo Reyes, um apaixonado pelo Brasil.

Não se imaginava, naquela época, que o Brasil fosse atingir o estágio que chegou até agora, mas, como aconteceu com ele, o País acabou aprendendo com os seus próprios erros. Nada melhor do que estabilidade e transparência. Como lembra o próprio Reyes, o País mudou nessas duas décadas, e mudou para melhor. “Isso tem a ver com muitos anos de políticas corretas, com Fernando Henrique Cardoso, Lula e, agora, com Dilma, todos governos de continuidade, que deram consistência ao País”, afirma. Com isso, observa, a aposta bilionária da Coca-Cola faz todo o sentido, pois se ancora num ambiente propício aos negócios e ao crescimento das empresas. “Quando vim da primeira vez, ouvia sempre que o Brasil era o país do futuro, e não suportava ouvir isso”, diz. “Hoje, o Brasil é o país do presente e tem tudo para dar certo.”

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“Não descobrimos o Brasil agora”
José Octavio Reyes, o “Pacho”, segundo homem na hierarquia da Coca-Cola mundial, fala sobre a importância do País para a companhia de Atlanta:

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Quais são as perspectivas da Coca-Cola no Brasil?
O nosso negócio tem um sistema que adotamos no Brasil, que é o da convicção de que não há limite para o crescimento. Pelo menos, um limite visível. Sempre dá para crescer muito mais.

O que explica a América Latina ser a região com o maior volume de vendas da Coca-Cola?
Normalmente, quando se fala em companhias multinacionais, nenhuma delas tem 30% do faturamento, como a Coca-Cola. Pode perguntar à Nestlé e à Procter&Gamble, por exemplo. Na América Latina, sabemos como perseguir as oportunidades de mercado. Temos a estratégia correta. Há outras companhias, outros grupos que também sabem fazer, mas nem todos sabem como fazer.

A crise na Europa e nos Estados Unidos ajudou a Coca-Cola nesse crescimento da América Latina?
Engraçado, não era a América Latina que estava sempre em crise? A crise da Europa e dos Estados Unidos ajudou pouco. Felizmente, a Coca-Cola continua crescendo na Europa. Não no mesmo ritmo que aqui, mas continua crescendo.

O que é mais sensível, preço ou marketing?
Não acho que seja questão de preço ou marketing. Só acredito em marketing com M maiúsculo. Marketing é mais do que filme, propaganda, publicidade, promoção... É tudo isso, mas é muito mais também. A Coca-Cola é uma companhia de marketing, e não de propaganda.

O sr. tem algum hobby?
Gosto de ler. Sou leitor compulsivo. Leio tudo, menos livro de negócios. Agora, por exemplo, estou lendo o livro Suíte Francesa, da escritora russa Irène Némirovsky. Recomendo muito.

Algum esporte?
Já joguei tênis. Hoje, faço um pouco de jogging. No fim de semana, gosto de ir ao teatro, ao cinema, jantar fora, vida normal. Gosto de vinho também. Mais do que vinho, só uma Coca-Cola.

O sr. toma quantas Coca-Colas por dia?
Uma, na hora do almoço.

Fonte: Istoé Dinheiro

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Diseño de bajo consumo

El capitalismo, la crisis o el 'boom' inmobiliario no son incompatibles con un diseño responsable y que favorezca la reducción de consumo.

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Rocío García (Sevilla, 1985) se licenció en Arquitectura en 2010 por la Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Sevilla. Enamorada confesa del diseño, como arquitecta dice adentrarse profesionalmente "en una sociedad en la que existen miles de viviendas vacías, y millones de opciones a la hora de elegir un producto. Una sociedad capitalista machacada por una gran crisis mundial en la que nos bombardean con estímulos para consumir más y más".

Esta sevillana ha decidido ser consecuente con los tiempos difíciles que corren, y desarrollar productos que requieran bajo consumo. "Que estén pensados directamente desde el usuario, tomando la estética como una parte más de su función práctica", explica García. Así se embarcó en el mundo del diseño. Ha participado en varios concursos, y en 2010 obtuvo el segundo premio del Concurso Nacional de Ideas para el Diseño, 'Sesienta', con su silla In Útero. "Busco diseños que no sean esclavos de los virtuosismos de la forma".

P. ¿Qué crees que aporta tu propuesta como valor?

R. Mis diseños pretenden ser una alternativa consecuente con las circunstancias en las que nos encontramos. Objetos pensados desde las necesidades del usuario y de la situación global, en contraposición a la producción en masa de elementos esclavos de la forma.

P. ¿Qué posibilidad real ves de poder acceder al circuito estable de la cultura?

R. Creo que las posibilidades son proporcionales al esfuerzo que pongas en ese empeño, a la calidad de tu trabajo y a la capacidad personal para saber encontrar y aprovechar las oportunidades.

P. ¿Cuáles son a tu juicio las mayores dificultades para los talentos emergentes?

R. Hoy en día hay una gran cantidad de jóvenes que pretenden desarrollarse profesionalmente dentro del mundo de la Cultura y de profesiones que impliquen un proceso creativo como puede ser la arquitectura o el diseño de producto. A eso hay que sumarle la situación actual española, en la que cada vez se invierte menos en iniciativas culturales. Estas circunstancias, unidas a la situación laboral y la reducción de ayudas a los jóvenes emprendedores, son las mayores dificultades.

P. ¿Qué beneficios esperas de salir en una plataforma como esta?

R. Mi intención es desarrollarme profesionalmente dentro del mundo del diseño. Por lo que espero que vuestra elección me sirva de ayuda para dar a conocer mi trabajo. Se podría decir que mi carrera acaba de empezar. En marzo comienzo un máster en Diseño de Producto en Barcelona. Estaría encantada de poder completar mi formación mediante la adquisición de experiencia en un estudio de diseño.

P. ¿Con qué herramientas cuentan los talentos emergentes para darse a conocer?

R. Creo que Internet es una gran herramienta para darse a conocer. Te brinda la posibilidad de hacer contactos con intereses comunes y promocionarte mediante blogs, foros, Facebook, Linkedin etc. Aún así, creo que la mejor forma de promocionarte es la tradicional. Asistiendo a congresos, ferias, y echarle valor para hablar con los profesionales que te interesen. Siempre suele ser más productivo y las impresiones, menos perecederas.

Fonte: El País

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O que as empresas precisam saber para desenvolver novos produtos

Rabikar Chatterjee, professor de MBA da University of Pittsburgh fala sobre inovação e obsolescência no mercado

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Em um cenário onde o ciclo de vida dos produtos se torna cada vez menor, oferecer novidades que sejam relevantes e atendam às necessidades dos consumidores se tornou um desafio para as empresas. Compreender as preferências e expectativas que o target tem em relação aos seus produtos e também aos da concorrência é o pensamento que deve guiar as estratégias das companhias.

Esta é orientação defendida por Rabikar Chatterjee, professor de MBA da University of Pittsburgh. Segundo o educador, ao inovar as empresas devem levar em conta um série de fatores, desde a escolha das commodities até o planejamento dos resultados a longo prazo. Estudar junto ao consumidor quais as características que eles esperam de um produto e conhecer sua vantagem competitiva, com base em metodologias confiáveis, são ações que colaboram para melhorar o desempenho das companhias e ampliar o entendimento do mercado.

Países como o Brasil, a Índia e China tem ganhado destaque não apenas pelo seu crescimento econômico. Empresas norte-americanas e europeias veem oportunidades de aprender com os mercados locais sobre soluções de baixo custo, que podem proporcionar mais benefícios aos consumidores, sem abandonar a qualidade e o design. Leia a entrevista na íntegra abaixo, em que o professor explica detalhadamente essas iniciativas.

Mundo do Marketing: As empresas têm dado mais atenção à opinião dos consumidores para desenvolverem produtos. Quais as vantagens e desvantagens de utilizar esta estratégia?
Rabikar Chatterjee: A grande vantagem é que se for usada de forma correta, permite conhecer melhor o seu consumidor. É uma oportunidade para as empresas entenderem melhor não somente o target, mas também os pontos de conflito dessa relação. O risco que se pode correr é irritar o cliente, invadindo sua privacidade. Ao lidar com estas informações é preciso ter cuidado. Com o aumento do conhecimento dos consumidores, não há mais chances para enganá-lo. O Marketing deve apoiar o produto, mas se ele não for bom, nenhuma estratégia poderá funcionar.

Mundo do Marketing: As empresas sabem o que os consumidores gastam com os produtos de sua empresa, mas desconhecem quanto gastam com a concorrência. Como essa metodologia pode colaborar para saber o que realmente o consumidor deseja?
Rabikar Chatterjee: Quando uma companhia desenvolve um produto não deve focar somente no consumidor, mas também pesquisar a concorrência. Uma das técnicas de pesquisa que pode colaborar nesse processo é a análise conjuntural. Essa metodologia leva em conta os fatores que interferem na escolha dos consumidores por uma determinada mercadoria ou serviço.

Na compra de pneus, por exemplo, os atributos que podem ser importantes para o consumidor são o preço e a duração. Vamos supor que um modelo custa R$ 100,00 e roda por 100.000 km. Outro custa R$ 50,00 e dura 50.000 km. Nós também temos uma alternativa que custa R$ 50,00 e roda por 100.000 km e mais uma que vale R$ 100,00 e dura por apenas 50.000 km. Quais destas opções os usuários escolheriam? Certamente, a que tem menor valor e melhor desempenho. E qual seria a última opção? Alto preço e alta performance.

No caso de termos as duas seguintes opções: um pneu que custe R$ 100,00 e rode por 100.000 km e outro que custe R$ 50,00 e dure R$ 50,00. Aparentemente eles são o mesmo. Mas consumidores podem ter visões diferentes sobre estes produtos. Nessa situação podemos acrescentar ainda um terceiro elemento, a marca. O que eu quero mostrar é que alguns trade-offs permitem descobrir as preferências dos consumidores.

Quando se realiza uma análise conjuntural fora de situações hipotéticas há um número muito grande de fatores envolvidos. Como exemplo podemos citar a cadeia de hotéis Marriot, que tem 57 aspectos a serem analisados. Esta técnica é muito usada quando uma empresa está criando um novo produto para descobrir como o consumidor faz suas escolhas. Há 30 anos a Clark, empresa do segmento de empilhadeiras utilizou esta metodologia para descobrir qual modelo seria ideal para introduzir no mercado brasileiro.

Mundo do Marketing: Há outros métodos também?
Rabikar Chatterjee: Outro exemplo de metodologia e a Lead Users Research (Laboratório Vivo). Quando uma companhia deseja desenvolver um novo equipamento médico, por exemplo, essa metodologia recorre aos melhores cirurgiões dos hospitais mais conceituados para fornecer ideias. Eles são importantes nesse processo, por que são os primeiros usuários desta tecnologia e lidam com ela diariamente.

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Mundo do Marketing: Muitas são as empresas que olham apenas para a concorrência quando desenvolvem produtos. Corre-se o risco de acabar não sendo inovador?
Rabikar Chatterjee: Sim, é um grande risco. Esse modelo era praticado na índia e China, onde as empresas replicavam as ideias dos concorrentes, sem dar atenção ao consumidor. Isso está mudando na Índia e mais vagarosamente no Brasil. Eu acredito que esse processo deve se tornar se acelerar daqui para frente. Para não correr este risco, devemos estar atento a dois fatore- as informações do mercado coletadas pela própria companhia e o conhecimento de sua vantagem competitiva.

Na índia, por exemplo, a Tata criou o Tata Nano (foto), carro de baixo custo, custando cerca de US$ 2.000,00. No Brasil temos o exemplo da Infraero, com as aeronaves. Empresas da Europa Ocidental e Estados Unidos estão criando centros de pesquisa e desenvolvimento na China e na Índia, não só pelo crescimento desses países, mas porque os engenheiros e cientistas destas localidades pesquisam soluções de custo muito mais baixo do que as produzidas nos países ricos.

Antigamente, os engenheiros esperavam pelo design do produto chegar até eles para iniciar a fabricação. Hoje, vemos o movimento contrário, já que os pesquisadores estão mais confiante no próprio design que estão desenvolvendo. Isso está ocorrendo na China e no Brasil, locais onde as empresas estão realmente se tornando multinacionais.

Mundo do Marketing: Muitos produtos são lançados no mercado todos os meses, enquanto muitos também saem de linha. Por que o ciclo de produtos está cada vez menor?

Rabikar Chatterjee: O ciclo de vida dos produtos está se reduzindo, principalmente quando olhamos para o mercado de tecnologia. Essa é a natureza do progresso. Por exemplo, na indústria de automóvel, as mudanças que levavam até cinco anos para chegarem ao mercado, hoje estão disponíveis em 15 a 18 meses. Em alguns casos, o seu produto se torna obsoleto antes de se obter o retorno sobre o investimento para desenvolvê-lo.

Este curto ciclo de vida também poderia criar uma estagnação do consumo. Os clientes, sabendo que haveria sempre uma atualização de algum produto em processo de criação, poderiam preferir aguardar até o seu lançamento. Se procurarmos na internet já há especulações sobre o iPhone 5, então porque comprar o iPhone 4, se a versão posterior já estará disponível. Mas todas as pessoas não pensam assim. Este é o desafio, estar atento ao consumidor de hoje e sua expectativa para o futuro.

Mundo do Marketing: Falando sobre o retorno sobre investimento, no Brasil este ainda é um tema bem difícil de ser levado a sério pelas empresas. Como ele deve ser trabalhado?

Rabikar Chatterjee: O retorno sobre investimento deve ser visto a longo prazo e planejado para várias gerações. É preciso ter cuidado. Algumas empresas podem perder em uma geração porém mais a frente conquistar outras. A maioria das empresas ainda não dominou esta técnica.

Mundo do Marketing: Mas as companhias querem resultados cada vez mais rápidos, a cada trimestre. Como você vê isso?
Rabikar Chatterjee: Isso é um problema. Buscar resultados em curto período de tempo significa que você está abrindo mão de investimentos a longo prazo. Se os mercados financeiros fossem perfeitos não haveria esse problema. Em uma indústria automobilística por exemplo, falando sobre mudança dos modelos poderia se trabalhar sob uma plataforma básica, que receberia pequenas modificações anualmente, de modo a minimizar o investimento necessário. Eu preferiria que o mercado tivesse essa percepção sobre o longo prazo.

Mundo do Marketing: Os consumidores estão preparados para trocar de produto a toda hora? Será que vamos viver um momento de consumo consciente?

Rabikar Chatterjee: O modelo de Marketing e precificação precisa mudar. Os consumidores não vão querer gastar mais em um produto que amanhã estará obsoleto. Em relação ao preço, talvez possa haver uma mensalidade e a cada mês que houver uma atualização você recebe ela. Para que isso seja possível, e preciso que haja uma compatibilidade.

Mundo do Marketing: Falando sobre a tendência de redução do custo e consequentemente do preço, o valor das commodities aumentou muito nos últimos anos. É possível diminuir o custo da inovação também?
Rabikar Chatterjee: Há dois tipos de inovação. Uma se desenvolve nono processo de produção e a outra se manifesta na utilidade do produto. Em relação à primeira, podemos compreender a redução do uso das commodities ou sua substituição por outra matéria-prima como inovação. Já quando se fala nos produtos, deve-se buscar técnicas melhores para que os resultados sejam confiáveis. Mesmo aqueles desenvolvidos a partir de boas pesquisas podem falhar. Faz parte do processo de inovar achar maneiras para reduzir os custos e melhorar as chances de sucesso.

Mundo do Marketing: Além do preço, que outros atributos são valorizados pelos consumidores hoje?
Rabikar Chatterjee: Quando o consumidor tem consciência sobre o preço, a chave é conseguir encontrar um produto que surpreenda-o. Ele estará disposto a pagar mais por conveniência, confiança e estética (design). O iPhone da Apple, por exemplo, pode ter um preço mais alto e as pessoas pagam por isso. Enquanto outras companhias estão cortando verbas do Marketing, as empresas de grande sucesso investem nesses atributos para atrair os clientes.

Mundo do Marketing: Outro atributo mencionado é a questão de como um produto pode facilitar a vida do consumidor. Essa poderá ser outra tendência?

Rabikar Chatterjee: Qualquer característica que de um produto para facilitar a vida do consumidor é válida. Mas este bom desempenho deve se fazer sentido e ser pertinente para o consumidor. A definição que os consumidores têm sobre a qualidade é o quanto ele atende as suas necessidades.

O ponto mais importante no desenvolvimento do produto é olhar o processo através dos olhos do consumidor, por que no final o que importa é a perspectiva de qualidade que ele tem sobre o produto. Às vezes você tem que segurar alguma tecnologia, porque o mercado ainda não está preparado para ela ou simplesmente por não haver interesse.

Fonte: Mundo do Marketing