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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

MJ, Madonna, Amy e Lady Gaga viram personagens da Turma da Mônica

Celebridades do mundo pop invadem os quadrinhos de Maurício de Sousa

O antenado criador da Turma da Mônica, Maurício de Sousa, prova, mais uma vez, que está por dentro da cultura pop, ao trazer a versão mirim das cantoras Madonna, Amy Winehouse e Lady Gaga para uma das próximas edições do gibi. As pequenas cantoras dos quadrinhos remetem imediatamente às reais, mas ganham asinhas de anjo e auréolas. Ainda não se sabe nada sobre a trama da historinha, tampouco a data de seu lançamento. Porém, o autor já divulgou o design das personagens.

Conforme havia anunciado em seu Twitter, no fim de junho, Maurício de Sousa fará também uma homenagem a Michael Jackson, que participa de uma historinha com a turma do Penadinho no céu. O storyboard é assinado por Paulo Back. Na capa do gibi aparecem os personagens da turma montados em diversos visuais do rei do pop: Mônica com o figurino do clipe de "Beat It", Cebolinha com o tradicional uniforme de soldado e luva branca, Chico Bento no melhor estilo "Billie Jean", Cascão recuperando a fase de "ABC", Magali com a roupa de príncipe, o Lobi com a roupa usada em "Thriller" e Zé Vampiro estrelando penteado de alisamento capilar.

O lançamento desta edição-tributo ao rei do pop, de número 33 da revista da Mônica, está previsto para setembro, mas Maurício já postou um link no Twitter com a história completa.

Fonte: http://msn.skolbeats.com.br/beatsbox/noticia/3294

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Produtores da Bratz lançam novas personagens.


MGA Entertainment tira Bratz de cena e lança nova linha "Moxie Girlz"

Depois de uma batalha legal de mais de quatro anos, a MGA tira de cena as personagens Bratz para sua nova aposta no segmento, as Moxie Girlz.

Como um look aparentemente modesto em comparação às suas sucessoras, pode-se considerar as novas personagem como uma "Bratz Light", com investimentos próprios da MGA para mante-la à tona.


A MGA começou a investir no desenvolvimento da nova licença focando garotas de 6 a 10 anos. A linha foi inspirada pelas mudanças do estilo de vida da família e traz à tona discussões sobre esse tema, diz Paula Garcia, vice presidente de design de produto e desenvolvimento.

"Nós pretendemos fazer uma personagem que seja a cara de seu público, fugindo ao esteriótipo de garotas materialistas e consumidoras exageradas" e completa: "A moda atual é viver a "moda do dia-a-dia", o oposto da "moda das gastadoras".

As primeiras unidades das bonecas Moxie Girlz começam a ser comercializadas em Julho e estarão disponíveis nas prateleiras americanas em meados de Agosto, com mídia impressa, televisiva, de rádio e on-line, com campanha publicitária que se inicia em Setembro.

As novas bonecas tem o mesmo olhar sutil das sucessoras, mas com um vestiário mais simples. O novo look das bonecas é a grande chave, diz o analista Gerrick Jonhson.

"Eu acho elas incríveis" e completa Johnson: "As Barbies parecem modelos, as Bratz parecem com garotas de rua e as Moxie Girlz parecem com garotas de verdade.

O sucesso da linha é crucial para a MGA, que foi obrigada a ceder a linha de bonecas Bratz para os produtores da Barbie (Mattel) na próxima primavera do hemisfério norte, concluindo o processo que alega que o designer Carter Bryant, criou o conceito Bratz enquanto ainda trabalhava para a Mattlel. No ano passado o juri indenizou a Mattel em 100 milhões de dólares em prejuízos causados pelas Bratz, a MGA recorreu e o processo ainda corre.

Embora a MGA ainda tenha outros personagens de sucesso, a Bratz foi de longe seu maior trunfo em vendas. Johnson estima que em seu auge, em 2005, vendeu mais de 750 milhões de dólares, tendo constante queda no faturamento e chegando a aproximados 200 milhões de dólares em 2009, embora a companhia não tenha divulgado suas receitas.

As Moxie Girlz vêm em diferentes estilos, como "Jammaz", vestidas em pijamas com uma guitarra e microfone, "Art-titude" com sapatos e uma moto e "Magic-Hair" com dois jogos de cabelos diferentes. Custam entre 18 e 30 dólares e os acessórios incluem carros e outros jogos.

A indústria de bonecas está em declínio já ha alguns anos, sendo que as meninas buscam cada vez mais entretenimento on-line e alternativas tecnológicas. As vendas de bonecas representaram 10% das vendas globais de 2,68 bilhões de dólares de 2008, segundo pesquisas de mercado da NPD Group. As vendas da líder Barbie caíram 15% no segundo trimestre em comparação com o ano anterior, tendo também a crise tenha colaborado para este quadro.

"A nova linha de bonecas pode impulsionar a categoria" diz Johnson. Além das Moxie Girlz, a MGA lança novas bonecas similares ao custo de 20 dólares.

"Existe uma tremenda oportunidade no segmento das meninas, desde que seja algo novo, atraente e interessante" diz Johnson, e completa: "Crianças podem ser inconstantes. Isso pode ser exatamente o que este mercado precisa."

Confira o site das Moxie Girlz em: www.moxiegirlz.com

Fonte: Yahoo

Aeroportos brasileiros receberão R$ 5 bilhões para a Copa do Mundo

Os aeroportos das cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo de Futebol em 2014 contarão com investimentos de R$ 5 bilhões ao longo dos próximos cinco anos. Somente para Rio de Janeiro e São Paulo, o orçamento previsto é de, respectivamente, R$ 819 milhões e R$ 1,49 bilhão. O anúncio sobre a destinação dos recursos foi feito no final deste mês pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

De acordo com o presidente da Infraero, Cleonilson Nicácio, a empresa se antecipou ao trabalhar a demanda projetada dos aeroportos para 2014, 2015 e 2020. “Foi por isso que, no momento em que a Fifa definiu as cidades que iriam receber os jogos da Copa, nós já estávamos com investimentos programados em 10 das 12 cidades, com todos seus programas em curso”, lembrou Nicácio.

Para a Infraero, o Brasil tem todas as condições de realizar um evento como a Copa do Mundo, em que o tráfego de passageiros cresce de maneira significativa. Para enfrentar esse desafio, representantes da empresa vêm discutindo o assunto com setores do governo, já que muitas obras serão realizadas com aporte de recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Para a Copa do Mundo, 12 aeroportos passarão por reformas e receberão novos investimentos: Afonso Pena (Curitiba), Confins e Pampulha (Belo Horizonte), Congonhas e Guarulhos (São Paulo), Eduardo Gomes (Manaus), Guararapes (Recife), Juscelino Kubitschek (Brasília), Marechal Rondon (Cuiabá), Pinto Martins (Fortaleza), Santos Dumont e Galeão (Rio de Janeiro), Salgado Filho (Porto Alegre) e Viracopos (Campinas).

Os aeroportos de Augusto Severo (Natal) e Luís Eduardo Guimarães (Salvador) estão com os projetos e orçamentos em fase de discussão.

O fluxo de milhares de turistas, como acontece geralmente em uma Copa do Mundo, gera também impacto em setores como turismo e infraestrutura. Na opinião do presidente da estatal, todos os brasileiros que têm alguma participação na preparação do País para sediar a Copa deverão que dar o máximo de sua capacidade. “Pretendemos implantar dois turnos de trabalho e todas as obras da Infraero, daqui pra frente, serão dessa forma, esse é o planejamento”, afirmou. Seguindo esse cronograma, em 2013 a maioria das obras já estará pronta, garante o presidente da Infraero.

Fonte: brasil.gov.br

Fototica é só ótica

A empresa ganha novo visual, risca o "p" de seu nome e abandona um de seus serviços mais tradicionais: a revelação de fotos.

O dia 1 de julho foi especial para os funcionários da Fototica e da Fábrica de Óculos, as duas redes adquiridas pelo grupo holandês hall investments, em 2007. Mais de 200 pessoas, entre gerentes e coordenadores de lojas, se reuniram na cidade paulista de Águas de São Pedro para se despedir das antigas marcas e dar boas-vindas a uma rede unificada e pronta para cres­cer.

A partir de agosto, as fachadas das 105 lojas das duas empresas tra­rão o nome Fototica, sem o p que sempre foi característico da marca. O plano de gestão estratégica integrada foi apresentado a profissionais recém-chegados e aos antigos de casa, que não esconderam a comoção em dizer adeus às empresas mais tradicionais do segmento no País. "foi uma espé­cie de ano novo para todos que esta­vam ali, principalmente para os profissionais com mais de 20 anos de empre­sa", conta Marcello Macedo, CeO da nova companhia.

Retrato do passado:
os serviços de revelação de fotos se mostraram pouco lucrativos
O critério para a escolha da identidade corporativa foi a força da marca no mercado nacional. Nesse quesito, a fototica, presente no mercado paulista desde 1920, ganhou disparada, mas vai passar por um pro­cesso de rejuvenescimento. Amudan­ça vai além da perda da letra "p" em seu nome. Os serviços de revelação de fotografia, oferecidos há décadas, serão abandonados gradualmente até o final deste ano.

O foco agora é a venda de óculos para consumidores da classe média. "assumimos duas empresas sem foco, nas quais clientes podiam adquirir celular, revelar fotos e comprar lentes. agora seguiremos com o que nos dá mais lucro a longo prazo", afirma Macedo. Segundo ele, toda essa diversidade de serviços denotava a ausência de estratégia clara para as empresas. "No setor de revelações, as redes competiam até com hipermercados e sites. Não havia como levar isso adiante por muito tempo", diz o executivo.

O estudo de reestruturação, feito com a ajuda das empresas Synovate, TNS e Brander, mostrou o caminho que a companhia deveria seguir. O processo de mudanças consumiu investimentos de R$ 30 milhões em ações de marketing e na realização de pesquisas de mercado para desvendar o que os brasileiros esperam de uma empresa de ótica. Também foi defini­do um novo layout de lojas, que deve ser implantado a partir de agosto. Por enquanto, há uma loja piloto no Shopping Villa-lobos, em São Paulo.

O novo conceito engloba um espaço especial para crianças, consumidores de lentes de contato e uma ambienta­ção mais minimalista, sem tantos pro­dutos e cartazes de informação. Em cada uma das lojas consultores espe­cializados ajudarão os clientes a esco­lher óculos de acordo com o tipo físi­co, idade e estilo. essa estratégia, que já existia em alguns endereços, foi reforçada com o treinamento de 70% dos mil funcionários da compa­nhia.

Outras inovações são a central de atendimento ao consumidor via telefone e a implantação de um CRM para fidelizar os clientes. as ações do programa de relacionamento serão feitas por meio do novo cartão Fototica Mania. "Não adianta ter marcas fortes sem saber usá-las. Estamos profissionalizando a maneira de gerir os negócios e queremos lucrar mais com isso", afirma Macedo.

A expectativa é de que os esforços rendam bons frutos ainda neste ano. companhia projeta um aumento de 20% de sua receita em relação a 2008, quando o faturamento fechou em R$ 160 milhões. O mesmo plano de expansão é seguido pela Pearle, hol­ding que cuida das empresas de ótica do grupo holandês em outros países da América Latina.

No mundo, a empresa possui três mil lojas e cerca de 8,6 mil funcionários, muitos trazidos de redes adquiridas nos últimos três anos, como foi o caso da Fototica. Por aqui, a marca pretende ganhar espaço com a abertura de lojas próprias e franquias e com a compra de concorrentes fortes no mercado nacional. Aintenção é ter 500 lojas até 2012, espalhadas pelas principais capi­tais brasileiras. "até dezembro deve­mos comprar mais uma rede de óti­cas no País", anuncia Macedo.

R$ 30 milhões
Foi quanto a Fototica, comandada por Marcello Macedo, investiu para remodelar sua imagem

Fonte: IstoÉ

Estrela elimina plástico de embalagens em ação sustentável

A Estrela continua a sua caminhada em busca da sustentabilidade. Depois de lançar o Banco Imobiliário com uma temática sustentável, a empresa está eliminando os plásticos que envolvem os brinquedos entre a caixa e o produto. Segundo a empresa, o plástico shrink serve apenas como uma proteção a mais aos produtos. Ele será substituído por um novo que poderá ser reutilizado. Este material leva mais de 70 anos para se decompor na natureza. Já as embalagens de papelão também serão reformuladas, sendo feitas com papel mais resistente, o que eliminará trocas desnecessárias.

Fonte: Mundo do Marketing

A absolvição dos genros

Ao contrário do que se pensa, estudo de psicóloga inglesa mostra que a pior relação é entre sogras e noras

"Feliz é Adão, que não teve sogra." "Sogra não é parente, é castigo." "Só não mato minha sogra por pena do diabo." "Sogra é igual a cerveja: só gelada e em cima da mesa." Se depender dos ditados populares, a imagem das sogras é péssima - especialmente do ponto de vista dos genros. Mas a vítima preferencial das piadas familiares pode ter outro algoz, de acordo com a psicóloga Terri Apter, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. No recém-lançado livro "What do You Want From Me? Learning to Get Along with the In-laws" (O que você quer de mim? Aprendendo a se dar bem com a família estendida, em tradução livre), a pesquisadora se propõe a estudar as relações na família estendida, que inclui sogros e cunhados. E revela que a pedra no sapato da relação dos casais é a difícil convivência entre noras e sogras.

"Minha pesquisa mostrou que os atritos nessas relações familiares podem causar problemas sérios", diz a psicóloga. A tradutora Leilah Matos, 31 anos, viveu o problema na pele. "Eu tenho praticamente quatro sogras: a mãe do meu marido, duas tias e a avó materna dele", enumera. "E elas são pessoas de gênio forte." Leilah conta que, quando se casou, há oito anos, os atritos eram praticamente diários. "Elas interferiam e davam palpite em como arrumar minha casa." Depois de uma discussão, ela e a sogra ficaram quase um ano sem conversar.

Mas o bom-senso falou mais alto e fizeram as pazes. "A gente tem que se moldar à nora. Precisa entender o limite do outro, e ele o nosso", ensina Nadia Karmann Monteiro, 63 anos, sogra de Leilah. "Minha nora é um doce, mas ela tem probleminhas de nervoso. Para ela também era complicado dividir o marido comigo", diz Nadia, que resolvidas as diferenças, até se emociona ao falar de como a nora faz o filho feliz.

A harmonia dessa relação depende de um jogo equilibrado entre ser flexível e impor limites. Esse foi o erro da estudante Élide Nunes de Souza Molotievschi, 23 anos. Há um ano, ela virou vizinha da sogra. "E tive a triste ideia de deixar a chave de casa com ela", conta Élide. Começou um inferno na vida da recém-casada, com a sogra xeretando na geladeira, nos armários e ligando para a família para fofocar. "Ela falava para meio mundo que minha casa era um chiqueiro, que o filho dela passava fome, que eu não lavava a roupa", lembra. "O segredo é impor limites. Alguém só entra na sua casa se tem a chave", afirma a psicóloga e terapeuta de casais Margareth dos Reis. "O casal tem que ter sempre um regulamento do relacionamento que permita colocar limites sem agredir o outro", diz.

Para essa relação tão delicada dar certo, é preciso também que os dois lados baixem a guarda. No blog Casa da Sogra, em que a foto de uma jararaca dá as boas-vindas ao internauta, são postados relatos anônimos de noras à beira de um ataque de nervos, que recebem dicas de como lidar com a situação. Gracinhas à parte, a postura defensiva predispõe à confirmação do estereótipo, o que só aumenta a resistência. "Existe um estigma muito grande em relação à sogra", diz Margareth. "E cabe a quem está entrando na relação neutralizá-lo", acredita a psicóloga.

A publicitária Carolina Linden, 31 anos, já passou por maus bocados na mão de sogras. "Eram coisas pequenas, mas não tinha diálogo", conta Carolina, lembrando de um almoço familiar em que ela deixou de comer um prato feito pela sogra porque tinha restrições alimentares na época. A sogra não perdoou, tachando-a de "fresca" para o resto da família. Mas a publicitária reconhece que não se empenhou para melhorar a relação. "Sou meio estourada, então, talvez, eu também não tenha sido a norinha que ela pediu a Deus."
Para evitar que os atritos virem brigas mais sérias, os especialistas acreditam que o melhor a se fazer é convocar o marido para que ele imponha limites. "O papel do homem é crucial", diz a inglesa Terri. "Ele pode eliminar muitas dificuldades se assegurar para sua mãe que ela continua sendo parte importante da vida dele, que a ama e respeita, apesar de estar casado."

A psicóloga afirma que o homem precisa impor limites na interferência materna, para não permitir que a mulher se sinta marginalizada. "Se ele não fizer isso, a esposa pode começar a culpar a mãe do marido por não deixá-lo cuidar da sua vida." A psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos acredita que são amores que não se comparam, portanto, não podem competir. "Quem tem que dar limite é o filho", afirma. "Se ele permite que a sogra invada, está pedindo para o casamento terminar."

Especialistas recomendam o entendimento dessa relação, que já nasce conflituosa. Mas a uma distância segura. Há um ditado que diz que a casa da sogra não deve ser muito perto, para que ela não possa vir a pé nem muito longe, para que ela não precise fazer as malas. Pesquisas atestam esse dito. De acordo com estudo do Instituto Italiano de Estatística, as chances de um casamento durar aumentam a cada 91,4 metros entre a casa de um casal e a de seus sogros. Uma dica para as futuras noras.

Verônica Mambrini

Fonte: IstoÉ

O Brasil deixou de ser parte do resto do mundo

O mexicano Humberto Gómez Rojo, presidente da Bridgestone Firestone do Brasil, conhece como poucos a economia da América Latina. Há quase três décadas vive rotinas distintas no continente. Comandou subsidiárias da maior fabricante de pneus do mundo no México, na Venezuela e Costa Rica. Há dois anos em território brasileiro, e com essa experiência na bagagem, achou que já tinha visto de tudo. Quase tudo.

O surpreendente desempenho do Brasil na crise e os recordes do setor automotivo ensinaram a ele algo novo: "Vi que o Brasil mudou rápido de lado. O País deixou de fazer parte do 'resto do mundo', dos países atrasados", disse ele à DINHEIRO, da fábrica de Santo André (SP), a maior da companhia fora do Japão.

DINHEIRO - É consenso que a redução do IPI turbinou o desempenho das montadoras. Isso influenciou o setor de pneus?
HUMBERTO GÓMEZ - De imediato, não. Ficamos surpresos com o resultado do IPI na economia real e animados com a repercussão positiva. Mas os resultados começarão a aparecer daqui um, dois ou três anos, quando os automóveis que estão sendo vendidos hoje começarem a trocar os pneus. A influência não é imediata porque 25% da produção abastece as montadoras. Cerca de 50% vai para o mercado de reposição e 25% segue para o Exterior.

DINHEIRO - Então, o ano não está tão bom quanto para as montadoras?
GÓMEZ - Não está ruim. Está abaixo de 2008 porque houve uma queda geral da economia. Mas existe a possibilidade de 2009 fechar igual ao ano passado. Depende do segundo semestre.

DINHEIRO - O governo agiu bem?
GÓMEZ - O Brasil foi realmente um dos poucos que deram muita atenção para evitar a crise. Agiu de forma correta. O mercado está se recuperando. Longe do ano passado, mas está se recuperando. Pode ser possível comparar o crescimento percentual de 2009 ao de 2008, mas serão períodos muito diferentes. A venda de carros no mercado interno está melhor ou igual a 2008. A classe média está crescendo. As vantagens aqui são os juros e os prazos, o que não ocorre em muitas outras economias.

DINHEIRO - Dá para apostar na continuidade do crescimento?
GÓMEZ - Fico um pouco preocupado quando há grande oferta de crédito, sem um crescimento proporcional da economia. Quando se compra um carro em 60 meses ou em 84 meses, surgem dúvidas em relação à capacidade de pagamento no futuro. Mas, por enquanto, tem funcionado.

DINHEIRO - Dirigir a Bridgestone no Brasil é diferente de outros países?
GÓMEZ - A economia do Brasil é muito grande, maior do que nos outros lugares em que atuei. A companhia aqui tem 50% do faturamento da América Latina. O México, segundo colocado, responde por 30%, mesmo atendendo o mercado americano, que recebe veículos montados com pneus nossos. Em termos de tamanho, aqui é diferente e tem peculiaridades, sim.

DINHEIRO - Quais peculiaridades?
GÓMEZ - O sistema tributário brasileiro é complexo demais. É o que diferencia demais o Brasil dos outros.

DINHEIRO - Qual a estratégia para crescer no Brasil?
GÓMEZ - À primeira vista, todos os pneus são iguais, redondos e pretos. Mas existem diferenças entre eles. Há muita tecnologia. É isso que queremos mostrar para avançar no mercado.

DINHEIRO - O mercado brasileiro tem sido bem explorado por fabricantes chineses. Como fica a concorrência?
GÓMEZ - Toda concorrência é boa para nós. Estamos preparados para competir no mundo inteiro. Mas a concorrência chinesa é desleal. Vencemos um processo antidumping contra pneus chineses de carros de passeio. A batalha levou dois anos. Estamos esperando neste mês uma decisão sobre pneus de carga. Conseguimos barrar a entrada de pneus usados. Isso ajudou muito.

DINHEIRO - Mas a Bridgestone tem uma grande fábrica na China.
GÓMEZ - Tem, sim. Porém, existe uma filosofia mundial de trabalho em todas as unidades da companhia. O custo dos pneus Bridgestone made in China é muito maior do que esses que têm entrado no Brasil. A questão não é onde é fabricado, mas as políticas aplicadas na produção.

DINHEIRO - A Bridgestone é líder nos maiores mercados do mundo. No Brasil está em terceiro. Isso incomoda?
GÓMEZ - Temos 18% do mercado de peças originais, pneus fornecidos às montadoras. E temos uma fatia de 20% no setor de reposição. Não incomoda porque não estamos buscando apenas a liderança. A meta é consolidar a marca Bridgestone no País. A empresa é muito forte nos segmentos de pneus pesados, usados em tratores e caminhões. Queremos fortalecer a Bridgestone como uma fabricante de pneus de passeio. Temos desde 2007 uma fábrica nova em Camaçari, na Bahia, com tecnologia de ponta. Ainda não participamos muito nos mercados para carros pequenos. Ainda estamos focados em pneus grandes, mas garanto que estamos prontos para ganhar espaço em todos as áreas.

DINHEIRO - A Bridgestone investiu nos últimos anos no aumento da capacidade de produção, e o mercado se retraiu. Há muita ociosidade?
GÓMEZ - Investimos US$ 450 milhões no Brasil nos últimos cinco anos. Nossa capacidade em Camaçari é de oito mil pneus/dia e em Santo André é de 32 mil pneus/dia. A intenção é deixar em São Paulo a maior parte da produção de pneus agrícolas e de caminhões e, os pneus menores ficarem na Bahia. Diante desses números, temos hoje, sim, uma capacidade de produção muito alta, o que nos dará condições de reagir rapidamente assim que o mercado voltar a crescer. Estaremos preparados.

DINHEIRO - Mas pneus maiores são mais rentáveis, não?
GÓMEZ - Sim. São os pneus que nos dão o de comer. Apesar disso, não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de outros segmentos.

DINHEIRO - Os pneus grandes estão ligados à performance do setor agrícola e de transportes, que dão sinais de vigor. Há boas perspectivas?
GÓMEZ - Totalmente. O segmento agrícola para as fabricantes de implementos caiu nos últimos meses. No entanto, as perspectivas são ótimas. O potencial é imenso. Será explorado.

DINHEIRO - E o setor de caminhões?
GÓMEZ - O crédito farto e os juros baixos ajudam, mas a questão aqui é mais complicada. Quando você compra um carro, é geralmente para seu uso. Quando se compra um caminhão, é para prestar um serviço a alguém. Ou seja, mais do que juro baixo e crédito, é preciso uma atividade econômica aquecida para que exista carga.

DINHEIRO - Falta mais incentivo ao setor de caminhões?
GÓMEZ - Ajuda, não. Existe um cenário favorável à renovação da frota. O que falta, na verdade, é crescimento econômico mais forte.

DINHEIRO - O setor de pneus reivindica algum tipo de incentivo?
GÓMEZ - Não queremos proteção dos governos. Só precisamos de espaço, de um ambiente favorável para crescemos sozinhos. Essa história da substituição tributária, lançada por vários Estados, obriga a retenção de 42% em impostos. Isso não existe. Nunca vi, em nenhum lugar do mundo.

DINHEIRO - Como a matriz em Tóquio vê o papel da filial brasileira?
GÓMEZ - O Brasil sempre foi muito importante para as estratégias da companhia no mundo. Desde que a Bridgestone comprou a americana Firestone em 1988, esse papel ganhou mais destaque. O continente americano tem 45% do faturamento da companhia no mundo. O principal mercado são os Estados Unidos, seguido pelo Brasil, que detém 12% desse bolo. Já está claro para nós que o Brasil não é mais um país 'terceiro-mundista'. É um País que em em poucos anos estará em outro patamar. Vai dar um salto maior do que outros países.

DINHEIRO - A crise beneficiará o Brasil, ao se tornar uma prova de que o País está mais forte?
GÓMEZ - O Brasil está mostrando que é muito mais maduro do que as grandes economias o consideravam antes da crise. Em épocas anteriores, uma crise como essa levaria o País ao buraco. Ele quebraria. Hoje, não.

DINHEIRO - Precisa melhorar?
GÓMEZ - A carga tributária é terrível. O sistema é complexo demais e injusto. Os investimentos ainda são muito caros. O tipo de câmbio é difícil. Não se sabe qual será a cotação do mês que vem. Para quem exporta, é um desafio se planejar.

DINHEIRO - Então, câmbio oscilante é pior que dólar barato.
GÓMEZ - Não sei. Pergunta difícil. Sei que dólar abaixo de R$ 1,90 é muito pouco. Para um país exportador, não se pode manter um câmbio desse. A competitividade interna fica abalada. Além disso, os produtos de fora chegam mais competitivos.

DINHEIRO - Os juros caíram ao menor patamar da história e o cenário macroeconômico tem se consolidado, não?
GÓMEZ - Os juros caem muito devagar. Há poucos meses, o Brasil ainda liderava o ranking dos juros mais altos do mundo. Agora está em quarto ou quinto lugar. O governo precisa ser mais ágil nas decisões para acompanhar a velocidade com que a economia mundial muda.

DINHEIRO - A crise acaba quando?
GÓMEZ - No Brasil, já acabou.

Fonte: IstoÉ Dinheiro

O etanol e o sorriso da minhoca brasileira.

Na última Conferência Europeia de Biomassa, os vários representantes da União Europeia mostraram suas garras. Insistiram em alertar o público sobre a ameaça que os biocombustíveis (especificamente o etanol brasileiro) representam para a produção de alimentos. Interessantemente, a comunidade científica presente não se mostrava interessada nessa perspectiva, pois, entre centenas de palestras, nenhuma versava sobre o assunto.

Traduzindo em miúdos, a preocupação dos próceres da UE é que a expansão da área plantada de cana-de-açúcar no Brasil invada culturas de alimentos. Como consequência, o alimento que deixasse de ser produzido aqui teria de sê-lo alhures (que Cony me perdoe, Folha, 23/7).

Ora, essa preocupação não é certamente por causa dos mais de 1 bilhão de miseráveis que estão fora da Europa, já que a fome não é consequência da falta de alimentos, mas da falta de recursos financeiros e capital social.

Também é fato o quase inteiro abandono em que se encontram países africanos e outros que só recebem ajuda de qualquer espécie em momentos de crise e cuja miséria é, em grande parte, fruto de séculos da exploração que sofreram dos ditos impérios europeus.

A África poderia ser um formidável produtor e exportador de alimentos. E, sob esse aspecto, a redução da oferta de alimentos devido à produção de biocombustíveis no Brasil, se por acaso viesse a ocorrer, seria antes um benefício para a humanidade.

Por outro lado, se o Brasil viesse a reduzir sua exportação de soja ou de carne bovina em benefício da produção de biocombustíveis, haveria um enorme ganho para o brasileiro, não só porque, com a adição de valor à matéria-prima vegetal, criar-se-iam empregos mais bem remunerados, mas também porque geraria riqueza comparável, se não superior, à esperada com essa exploração, a desoras, do pré-sal (dessa vez Cony me mata).

Ou seja, a União Europeia prefere sacrificar o bem estar do brasileiro a reduzir o alimento para engorda de leitões que enchem suas rotundas panças no Natal (pois é para isso que serve a soja) ou a barata carne brasileira para encher as barrigas de seus cães poodles e gatos siameses.

Se eu não tivesse a certeza de que os governos europeus e seus cientistas assalariados têm as melhores das intenções, eu desconfiaria de que defendem mesquinhos interesses comerciais, esquecendo-se inteiramente de que o etanol de cana-de-açúcar é o que até hoje existe de melhor para combater o aquecimento global.

Simultaneamente, a campanha contra o etanol brasileiro vem usando um outro sofisma chamado mudança de uso do solo.

Se é derrubada uma parcela da floresta amazônica para plantar cana-de-açúcar, o dióxido de carbono emitido, para ser compensado pelo etanol produzido para substituir o petróleo, precisaria de 500 anos.

A derrubada de toda a floresta amazônica corresponde, quanto ao conteúdo de carbono, a aproximadamente todo o petróleo já queimado pela humanidade somado ao que ainda virá a ser usado das reservas conhecidas e a serem descobertas na Terra.

Eis por que desmatar é crime contra a natureza e contra a humanidade e deve ser punido implacavelmente.

Esse efeito, a emissão de CO2 e outros gases de efeito estufa (GEE), ocorre em qualquer que seja a mudança de uso do solo, inclusive para o cerrado. Mas esta denominação, cerrado, é extremamente imprecisa. Há cerrados com vegetação abundante e solos ricos em vida, e há cerrados que são pouco mais que um deserto.

A União Europeia adotou arbitrariamente um parâmetro, 17 anos, para compensar, com a substituição da gasolina por etanol, os GEE emitidos durante a mudança de solo.

Ora, até o presente, menos que 2% da expansão da cana se fez no cerrado, e isso corresponde a menos que 0,1% do restante do cerrado atual. A expansão futura se fará muito provavelmente em pastagens e plantações abandonadas, como já vem ocorrendo, onde haverá ganhos imediatos em carbono contido até mesmo no que diz respeito à fauna e à flora do solo.

Quem já pôs a mão na enxada sabe que a minhoca esperneia não de aflição, mas de felicidade, por receber um solo mais permeável e rico em nutrientes, quando plantamos algo no solo desgastado pelo pasto ou no cerrado desnudo e seco.

Deixemos de lado as críticas insólitas de ecoidiotas, cientistas assalariados e lobistas pagos pelas companhias de petróleo e pelos exportadores de alimentos e façamos sorrir a minhoca brasileira com suculentas plantações de cana-de-açúcar que contribuirão para salvar o meio ambiente para nossos filhos e netos.


Rogério Cezar de Cerqueira Leite - físico, presidente do Conselho de Administração da ABTLuS

Fonte: Folha de São Paulo