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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Balança comercial

Exportações recuam 23% em janeiro e importações caem 12,6%. O déficit comercial foi de US$ 518 mi no mês. Eis aí o motivo pelo qual o governo queria (e quer) destrambelhadamente barrar as importações.

Trabalhadores desmantelam equipamentos eletrônicos em lixão em Guiyu (China), em foto colocada no site da BAN

Hong Kong interceptou e retornou 41 contêineres de navio aos portos norte-americanos em 2008 porque eles carregavam toneladas de lixo eletrônico ilegal que vinham dos Estados Unidos, segundo o Departamento de Proteção Ambiental de Hong Kong.
Ao recusar os contêineres, Hong Kong evitou a tentativa de empresas norte-americanas de despejar 6.300 toneladas de TVs quebradas ou monitores de computadores -volume que contém cerca de 37 toneladas de chumbo.
Porém milhares de outros carregamentos, provavelmente, passaram despercebidos, disse Jim Puckett, coordenador da BAN (Basel Action Network), uma ONG ambientalista que há mais de oito anos fiscaliza a crescente indústria de reciclagem de eletrônicos.
Mas há reações. Desde agosto, quando o GAO (que fiscaliza o desempenho do governo norte-americano) divulgou um relatório investigativo alarmante, no qual declarava que lixo eletrônico norte-americano exportado estava sendo descartado, de forma inapropriada, em países como a China e a Índia, a BAN tem recebido garantias de recicladoras de eletrônicos de que não irão exportar.
A BAN (www.ban.org) informa que 40 empresas aderiram ao programa para certificação de controlador eletrônico (E-Steward), no qual se comprometem a não exportar para países mais pobres.
Robert Houghton, presidente da empresa de reciclagem Redemtech, calcula que 80% do lixo eletrônico norte-americano coletado para reciclagem é exportado e que a maioria das recicladoras "engana seus clientes quando se trata de exportação".
O ISRI (Institute of Scrap Recycling Industries), entidade que congrega empresas do setor de reciclagem, discorda.
"Eu tenho de acreditar que a maioria das empresas está agindo de maneira correta", disse Robin Wiener, presidente da ISRI. Segundo ela, a exportação ilegal deve ser interrompida. Mas, em vez de um veto, a ISRI defende uma nova certificação, chamada R-2. Para recebê-la, as recicladoras podem exportar para países em desenvolvimento, mas elas devem garantir que essas exportações são recicladas de forma responsável.
O GAO criticou severamente a EPA por falhar em garantir a única regulamentação norte-americana relativa à exportação de lixo eletrônico. Essa lei diz que CRTs (sigla em inglês para tubos de raios catódicos) -tubos de imagem em TVs antigas e monitores de computador- não podem ser exportados a menos que a empresa recicladora norte-americana notifique a EPA e obtenha permissão do país importador.
Fingindo serem compradores de CRTs quebrados na Ásia, investigadores do GAO enviaram 343 e-mails a recicladoras norte-americanas em busca de CRTs antigos. Das 64 empresas que responderam, 43 concordaram em exportar os CRTs -uma evidente violação da lei.
Quando procuradas oficialmente pelo GAO, muitas das empresas negaram que exportassem CRTs. Nenhuma delas informou à EPA sobre a intenção de exportar.
Segundo a EPA, estão em andamento 20 investigações sobre as recicladoras, e uma delas foi multada em US$ 10 mil. A agência se recusou a dar maiores detalhes sobre o caso.

Tradução: Fabiano Fleury de Souza Campos
Por Julie Schmit
Fonte: USA Today

Brasil recebe restos high-tech dos EUA

Mais de mil toneladas de eletrônicos descartados foram enviadas ao país em 2006, diz agência do governo da Califórnia
Em 2006, o Brasil foi parte do lixão high-tech da Califórnia. De acordo com dados obtidos pela Folha no DTSC (sigla em inglês para Departamento de Controle de Substâncias Tóxicas da Califórnia), 1.190 toneladas de lixo eletrônico foram enviadas do Estado norte-americano ao Brasil naquele ano.
Os dados indicam que o Brasil pode ter ignorado a Convenção da Basileia, um tratado internacional do qual o país faz parte e que tenta combater o trânsito internacional de resíduos perigosos dos países desenvolvidos para nações em desenvolvimento.
O lixo eletrônico -televisores, computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos descartados para o uso- é considerado perigoso, pois possui em sua composição substâncias tóxicas como mercúrio e chumbo.
Televisores e monitores de computador, por exemplo, possuem de 20% a 25% de chumbo em sua composição.

Brasil
O DTSC não especifica que tipo de aparelho eletrônico foi enviado ao país.
Em 2007, o ano mais recente para o qual o DTSC possui dados, não há registros de envio de lixo eletrônico ao Brasil.
O Ministério do Meio Ambiente, ouvido pela Folha, diz não ter informações a respeito (leia texto ao lado).
Os dados do DTSC ainda mostram que a Califórnia exportou mais de 9.000 toneladas de lixo eletrônico para todo o mundo em 2006. China, Malásia e Índia são alguns dos países que aparecem na lista.
Essa quantidade, porém, pode ser ainda maior. Os números apresentados pelo DTSC são fornecidos por aqueles que "cumprem as regras" do departamento governamental para exportação.
O trânsito internacional ilegal de lixo eletrônico é apontado por ambientalistas como um grave e crescente problema global. A China, por exemplo, é um dos países mais afetados por remessas ilegais de aparelhos descartados.
Ambientalistas também estimam que entre 50% a 80% do lixo eletrônico nos EUA é exportado e apenas cerca de 10% é reciclado da maneira correta. Em 2003, a Califórnia efetivou legislação que proíbe o despejo de aparelhos eletrônicos sem uso em seus lixões. De acordo com um membro do DTSC, porém, o Estado e o país não possuem capacidade para reciclar todo esse lixo.
Funcionário de uma empresa que coleta esse lixo em Berkeley, região de San Francisco, disse à reportagem que muitas empresas acabam exportando os aparelhos em vez de reciclá-los no país por se tratar de um negócio mais lucrativo. "Com o mercado de metais desvalorizado, elas [as empresas] não veem vantagem em reciclar," disse ele.

Legislação internacional
Dentre os mais de 170 países que participam da Convenção da Basileia, apenas Afeganistão, Haiti e EUA não a ratificaram. O tratado estabelece severas regras para o trânsito de substâncias perigosas entre países participantes e não participantes do tratado.
Essas regras podem ser dribladas por meio de outros acordos internacionais ou da não-ratificação de partes ou emendas ao texto da Convenção.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo de 30 países que produzem mais da metade da riqueza mundial e que inclui os EUA, possui regras próprias sobre o assunto.

País não tem legislação específica

DA REPORTAGEM LOCAL

Sem legislação específica sobre o lixo eletrônico, o Brasil conta com iniciativas pontuais para lidar com o assunto. Em São Paulo, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente realizou, em outubro do ano passado, o Mutirão do Lixo Eletrônico (www.ambiente.sp.gov.br/mutiraodolixoeletronico), com o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade de descartar corretamente o e-lixo.
Para mais adiante, a ideia da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), que é ligada à secretaria, é fazer uma parceria com os Correios, segundo Antônio de Castro Bruni, gerente do setor de suporte tecnológico do órgão.
"As pessoas poderão deixar computadores e celulares descartados em uma agência. Quando se acumular uma grande quantidade, o lote pode ser vendido por empresas apontadas pela Cetesb", diz.
Desde 2007, a Cetesb desenvolve o projeto TI-Verde, que alerta sobre os efeitos nocivos do descarte incorreto do e-lixo e incentiva a inclusão digital ao doar equipamentos para comunidades carentes.

Lei
Está em processo de votação no Congresso o projeto de lei 1991, de 2007, sobre a política nacional de resíduos sólidos.
"O único tipo de resíduo sólido contemplado diretamente no projeto é o gerado pelos sistemas de saúde, para o restante há classificações de origem e finalidade. O chamado lixo eletrônico seria classificado, respectivamente, como resíduo sólido especial e reverso", diz Hernani Dimantas, do lixoeletronico.org. (DA)


Vale do Silício registra alta poluição

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM BERKELEY

O Vale do Silício, na Califórnia, berço das mais famosas empresas de tecnologia, é poluído pelas próprias companhias high-tech. Segundo a EPA (agência do governo norte-americano para proteção ambiental), a região tem 29 pontos de contaminação.
O condado de Santa Clara, que abriga o Google e a Apple, possui 23 áreas contaminadas. É o maior número de pontos contaminados por condado do país. Segundo ambientalistas, mais de cem substâncias tóxicas já foram encontradas no lençol freático da região -incluindo o tricloroetileno, um solvente cancerígeno usado na produção de semicondutores.
No site da EPA, as contaminações aparecem ligadas a empresas como Intel, AMD, Applied Materials e HP.

Coisa do passado
Em comum, todos os casos têm origem nos anos 80. Na época, as empresas, principalmente da área de semicondutores, mantinham suas operações 100% na região.
Nos anos 80, os repetidos casos de doenças relacionadas à contaminação por substâncias tóxicas forçaram a EPA a fiscalizar mais a indústria da tecnologia.
Hoje em dia, as empresas dizem que a poluição ficou no passado. (BR)

Por Bruno Romani
Fonte: Folha de São Paulo

O lado sujo da indústria limpa

Renovação é um imperativo no mercado de eletroeletrônicos. O computador comprado hoje pode não executar programas criados daqui a um ano. A política é a mesma para câmeras, celulares e televisores.
Empresas se valem da publicidade para passar uma mensagem que soa como mantra para o consumidor ávido por performance: substitua seu produto por um melhor. Você se desfaz de um, compra outro. E um enorme volume de lixo eletrônico fica vagando por aí -parte dos resíduos é despejada em países do Terceiro Mundo.
Dados de uma agência do governo da Califórnia registram que, em 2006, o Brasil recebeu mais de mil toneladas de eletrônicos descartados nos EUA. Segundo o Greenpeace, a cada ano são produzidos entre 20 milhões e 50 milhões de toneladas de e-lixo, que tem componentes tóxicos como chumbo.
"Os produtos são fabricados usando mais de mil químicos tóxicos -muitos deles são conhecidos por causar câncer, abortos, problemas reprodutivos, asma e outras doenças nos trabalhadores que os fabricam, nas comunidades que cercam as fábricas e em locais onde o e-lixo é jogado e queimado", afirma Ted Smith, autor do livro "Challenging the Chip" (desafiando o chip).
Para Jorge Tenório, professor titular da Escola Politécnica da USP, a única forma de combater esse processo é a reciclagem. "O problema maior associado ao lixo eletrônico é que a vida média dos produtos é cada vez menor. E cada vez mais a gente consome mais matéria-prima. É uma forma insustentável de lidar com o ambiente."
Veja, nesta edição, como tratar seu lixo eletrônico e conheça iniciativas que tentam lidar com o problema.

UM bilhão de PCs serão descartados mundialmente entre 2005 e 2010. O número está informado no relatório "TI Verde", da Intel

500 milhões de PCs contêm, aproximadamente, 2.872.000 toneladas de plástico, 718.000 toneladas de chumbo, 1.363 tonelada de cádmio e 287 toneladas de mercúrio, diz o relatório

Por Daniela Arrais
Fonte: Folha de São Paulo

Revendas terão linha de crédito atrelada à manutenção de vagas

O governo deverá fechar na próxima semana o primeiro acordo para criação de uma linha de crédito com dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) atrelada à garantia de emprego. O acerto beneficiará o setor de revenda de carros usados, que disporá inicialmente de R$ 200 milhões para capital de giro das empresas.
Há previsão para que o socorro financeiro aos revendedores de carros seja ampliado, mas isso dependerá de uma avaliação para verificar se realmente não houve demissões no mercado. O setor afirma que a ajuda do FAT poderá chegar a R$ 1,25 bilhão, além de R$ 1,25 bilhão em recursos próprios do Banco do Brasil -instituição que operará a nova linha.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, esteve reunido ontem com representantes do Banco do Brasil e do setor de revenda de veículos para negociar os últimos detalhes da medida. Lupi articula para que o presidente Lula divulgue a novidade na semana que vem, quando deve ser anunciado o pacote habitacional. O setor emprega 600 mil funcionários.
O Ministério do Trabalho já encaminhou a proposta da nova linha ao Codefat (Conselho Deliberativo do FAT) -colegiado tripartite que administra o fundo-, e a medida deverá ser aprovada "ad referendum" pelos conselheiros.
Até ontem no início da noite, estava acertado que os juros para os empréstimos de capital de giro serão de 6,75% ao ano. O setor reivindicava entre 6% e 7% ao ano. "Essa será a taxa para o lojista. Mas também está sendo negociado com o Banco do Brasil empréstimo direto ao consumidor, com juro final de, no máximo, 1,55% ao mês", afirmou o deputado Dagoberto Nogueira (PDT-MS), interlocutor dos lojistas que esteve presente na reunião.

Compromisso
Segundo o deputado, o setor assumirá o compromisso de não demitir funcionários. Até agora, os revendedores não dispensaram trabalhadores, de acordo com a Fenauto (Federação Nacional das Associação de Revendedores de Veículos Automotores).
"As empresas têm em média cinco funcionários. Não demitem. Se o negócio aperta, fecham a loja. É muito pior", declarou o presidente da entidade, Ilídio Gonçalves.
Segundo ele, em outubro as vendas das lojas apresentaram queda de 55%. Em dezembro e janeiro, houve uma recuperação de 10%. "Ainda estamos perdendo muito. O estoque das lojas apresentou perda de 30% por conta da redução do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] para carros novos", afirmou.
Na avaliação da Fenauto, a nova linha de crédito com recursos do FAT deverá salvar 10 mil empresas, das 42 mil que existem no país. "São aquelas que têm estoque pago de 20 a 30 carros. Isso não está rodando, o que faz com que o mercado todo de automóveis não rode", disse Gonçalves
O governo ainda negocia com o setor uma carência de um ano para pagamento dos empréstimos para capital de giro. O pleito dos lojistas era de dois anos.

Por Julianna Sofia

Fonte: SUCURSAL DE BRASÍLIA

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Disney dispara no Ibope e derruba Cartoon

O Cartoon foi ultrapassado pelo Disney Channel em 2008 e perdeu o posto de número um da TV paga brasileira. O canal infantil, que liderava o ranking dos mais vistos desde 2001, foi ultrapassado pelo Disney Channel em 2008.

Isso indica que desenhos animados ("especialidade" do Cartoon) estão perdendo prestígio entre crianças e adolescentes. Em alta está a programação "live action", os conteúdos feitos com "gente de verdade" (séries, games). O Disney é forte nisso -"High School Musical" e "Hannah Montana" são fenômenos de "live action".

O Cartoon perdeu audiência em 2008. Caiu de 20,9 mil domicílios atingidos por minuto das 8h da manhã à 1h da madrugada, em 2007, para 17 mil em 2008, segundo a medição do Ibope em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

Já o Disney, que era apenas o sexto canal mais visto em 2007, com 12,1 mil domicílios/minuto, saltou para 22 mil. Esse crescimento também está relacionado à melhor distribuição.
Na média diária, os três canais mais vistos em 2008 foram infantis -o terceiro foi o Discovery Kids (segundo em 2007).

Houve mudança também no ranking dos canais "adultos". O SporTV destronou o TNT.
No horário nobre (19h/1h), o novo líder geral também é o Disney, seguido de perto pelo SporTV.

Entre os dez primeiros, Universal Channel, Fox e Telecine Pipoca subiram. Multishow e Globo News caíram.

Fonte: Folha Online - Ilustrada

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Importação de e-lixo é "surpresa"

A gerente de resíduos perigosos da Secretaria de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, diz que "causa surpresa a afirmação de que o Brasil importa lixo eletrônico, já que a importação de bens de consumo usados é proibida pela Portaria DECEX/MDIC nº 08, de maio de 1991".

A portaria do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), contudo, permite a importação de material usado em algumas situações, como "máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados à reconstrução no país".
Segundo Zilda Veloso, a destinação de resíduos urbanos e dos chamados resíduos pós-consumo compete aos órgãos municipais de limpeza urbana.
"As normas municipais regem a destinação de resíduos. Desde 1991, encontra-se no Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) uma proposta de discussão do assunto aguardando uma diretriz maior -que seria a política nacional de resíduos, ainda não aprovada pelo Congresso", diz.
Sem a fiscalização federal do e-lixo, o Ministério do Meio Ambiente não soube informar à reportagem a quantidade de toneladas de lixo eletrônico geradas anualmente no Brasil, tampouco porcentagens desse material que vão para aterros ou são recicladas.
"Como não há regra específica para o gerenciamento desse tipo de resíduo, existem projeções baseadas na comercialização do produto novo e no consumo. Desconhecemos esses números", diz a gerente.

É preciso ter mais controle, diz ONG

Por Stefhanie Piovezan
Fonte: Folha de São Paulo

Paralisação de montadoras já provoca falta de carros Modelos mais procurados levam até 30 dias para ser entregues por concessionárias

Para revendas, situação não deve se normalizar antes de março, pois demanda se mantém elevada em razão da redução do IPI

Com o corte na produção das montadoras e o mercado ensaiando um reaquecimento após a queda do IPI, já faltam carros para pronta entrega nas concessionárias.
Alguns modelos que constam na lista dos dez mais vendidos, como o Fiat Uno (2º no ranking), o Fiat Palio (3º) e o Ford Ka (9º), levam até 30 dias para ser entregues em algumas lojas.
"Não esperávamos isso. De um lado, o mercado deu uma mexida. Os bancos voltaram a dar crédito, e a redução do IPI impulsionou as vendas. Mas, por outro lado, houve uma queda drástica na produção", disse o gerente de seminovos do grupo Amazonas (Fiat), Richard Marques.
Em sua loja, além do Uno e do Palio, estão em falta a linha do Punto e o Siena. Para Marques, as montadoras acabaram "perdendo o rumo" na hora de reduzir a produção. E o concessionário, diz, fica com o risco de perder o cliente que tem pressa na aquisição do automóvel.
O presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Sérgio Reze, argumenta que as férias coletivas nas montadoras foram necessárias diante do cenário de retração nas vendas por conta da crise financeira global. "Mas houve um descompasso. Ninguém consegue ter essa precisão para afirmar a partir de qual dia tem que voltar a produzir para não faltar carro nenhum nas concessionárias", afirma.
Na avaliação dos concessionários, a situação não deve se normalizar antes de março, já que a redução do IPI -que vigora até o fim do mês que vem- levou a um aumento de até 15% na procura por alguns modelos, especialmente os populares.
Mas a falta de carros não se restringe aos modelos 1.0. Para comprar um Vectra ou uma Meriva, da GM, o consumidor hoje leva 30 dias; já uma Zafira demanda uma espera de 15 dias, afirma o gerente de vendas da Itororó (Chevrolet), Paulo Rogério Moreira.
Na rede de distribuição da Volks, o Voyage é o modelo problemático no momento. "Leva uns 15 dias de espera", diz Ricardo Nosella, gerente de vendas do grupo Faria (VW). "Estamos equacionando nossos estoques para evitar que ocorra falta dos carros de maior saída, como o Gol."

Corte excessivo
Depois do corte de 54% em dezembro passado em relação ao mesmo mês de 2007, a produção de veículos só deve se normalizar no mês que vem. Embora as férias coletivas já tenham terminado na maior parte das montadoras, há um ciclo longo na produção dos carros.
"Isso não se faz do dia para a noite. É preciso verificar os estoques de materiais, porque a cadeia de suprimento também deixou de produzir. Será necessário rever volumes, cor e tudo o mais", diz o consultor André Beer, ex-presidente da Anfavea (associação das montadoras).
Para ele, diante do "susto" com a retração no mercado, as montadoras acabaram por promover um corte excessivo na produção. "Agora, que o mercado começou a esboçar um reaquecimento, faltam carros nas concessionárias."
Em janeiro, as vendas da indústria automotiva aumentaram 3,2% em relação a dezembro, com o emplacamento de 189.731 unidades, entre automóveis e comerciais leves. Na comparação com janeiro do ano passado, no entanto, as vendas caíram 7,6%. Os dados oficiais devem ser divulgados hoje pela Fenabrave.

MONTADORAS:
GM ANUNCIA NOVAS FÉRIAS COLETIVAS EM SP
A montadora GM anunciou que dará novas férias coletivas aos cerca de 2.000 funcionários das duas unidades de São José dos Campos (SP) da Powertrain, uma subsidiária que fabrica motores. Ambas já tiveram três períodos de férias coletivas, desde setembro. A assessoria de imprensa da GM afirma que um "pequeno grupo", ainda indefinido, deverá parar por 30 dias a partir do dia 16. A justificativa é o ajustamento da produção à demanda. Este é o sétimo anúncio de férias coletivas feito pela GM no Brasil desde a piora da crise global.

Por Paulo de Araujo

Fonte: Folha de São Paulo